
Com a chegada do inverno, frestas e infiltrações deixam o frio ainda mais forte dentro de casa para muitas famílias em situação de vulnerabilidade.
Pensando nisso, um projeto criado há 17 anos em Passo Fundo, no norte do Estado, busca mudar essa realidade usando uma solução simples e sustentável: caixas de leite.
O projeto Brasil Sem Frestas nasceu em 2009, depois de uma madrugada de tempestade que despertou a preocupação da idealizadora, a empresária Maria Luísa Camozzato, com famílias que viviam em casas sem proteção adequada contra o frio. Tanto o trabalho de revestimento quanto a produção das chapas são feitos por voluntários.
A ideia ganhou forma a partir de um material que iria para o lixo, e recebe uma nova função graças as camadas que ajudam a isolar a temperatura. Uma característica que serve como barreira contra o clima, especialmente no inverno, mas que também ajuda a controlar a temperatura durante o verão.
— O frio parece que chegou mais cedo, está bastante intenso, e as famílias não param de pedir ajuda. A gente tem lista de espera, inclusive com indicação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o que nos permite chegar a quem mais precisa — afirma a idealizadora.
Produção manual

Desde o início do projeto, mais de 200 toneladas de material já foram reaproveitadas. A produção das lâminas é feita de maneira cuidadosa: as caixas passam por limpeza, secagem e um processo manual que envolve corte e costura. Após isso, são abertas, recortadas e organizadas até formarem chapas.
— Tudo é separado por marca, para manter um padrão — explica a voluntária Alice Pacheco Linhares.
As chapas podem ter diferentes tamanhos e formatos. Algumas recebem reforço de madeira e são usadas no teto, enquanto outras são aplicadas nas paredes, funcionando como uma espécie de barreira contra o frio e a umidade.
O impacto é percebido diretamente por quem recebe o revestimento, que passa a ter um lar mais protegido. O que antes estava exposto ao vento, ao frio e à chuva, aos poucos vai sendo transformado por um trabalho coletivo, feito por muitas mãos.
— A gente tenta levar um revestimento que ajude a disfarçar as imperfeições das casas e, ao mesmo tempo, proporcione conforto térmico. Já passamos de 600 casas atendidas — diz a fundadora.
Segundo ela, o projeto mantém uma média de cerca de duas casas reformadas por semana, mas ainda enfrenta falta de voluntários para atender a demanda crescente.
Iniciativa que ganhou o país

A iniciativa, que começou no Rio Grande do Sul, já se expandiu para outros estados, como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais do que uma solução técnica, o projeto também mobiliza o trabalho humanitário. Jovens, estudantes e moradores da cidade se engajam de forma voluntária na produção das chapas e na aplicação nas casas.
— É uma corrente de amor muito grande. As pessoas passam, entram para conhecer e acabam voltando para ajudar. É algo difícil de explicar — relata Maria.
A população também pode contribuir com doações de caixas de leite, que são recebidas na Rua Fagundes dos Reis, número 97, em Passo Fundo, nas segundas e quartas-feiras.




