
Depois de registrar 171,4 milímetros de chuva em apenas 24 horas, o segundo maior acumulado da história do município, Passo Fundo, no norte do Estado, entra agora em uma nova etapa: a recuperação das áreas atingidas pela chuva e o atendimento às famílias afetadas.
O volume registrado entre terça-feira (21) e quarta-feira (22) ficou atrás apenas dos 174 milímetros contabilizados em abril de 1998. Somente em julho, o acumulado já chegou a 310,8 milímetros.
O temporal provocou alagamentos em 11 bairros: Entre Rios, Ocupação Floresta, Bela Vista, Vila Alegre, Victor Issler, Parque Farroupilha, Santa Maria, São Luiz Gonzaga, Integração, Vila Ipiranga e Santa Marta, o que ocasionou em 98 pessoas precisando sair de suas casas. A chuva também bloqueou ruas, causou deslizamentos e obrigou moradores a deixarem suas residências.
Em alguns pontos da cidade, a água avançou em poucos minutos. Na Rua Xingu, no bairro Santa Maria, famílias passaram a noite abrigadas em uma igreja após a cheia do Arroio Santo Antônio atingir as moradias.
Força-tarefa segue nas ruas
A operação montada pelo município envolve diversos setores e deve seguir pelo menos até sexta-feira (24).
A Defesa Civil concentra os trabalhos na elaboração de relatórios técnicos, contabilização dos danos e monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas.
Enquanto isso, equipes da Secretaria de Serviços Gerais continuam atuando na retirada de entulhos, galhos, resíduos e lama acumulados em ruas e espaços públicos. Máquinas realizam a remoção de barro e a limpeza de bocas de lobo, especialmente em áreas mais atingidas, como o bairro Entre Rios.
A Secretaria de Obras mantém trabalhos voltados à recuperação de sistemas de drenagem e à limpeza de locais afetados pela enxurrada.
Famílias recebem assistência
Além dos danos à infraestrutura, o temporal afetou diretamente dezenas de moradores. Na quarta (22), moradores que estavam acolhidos na Casa de Passagem e na Casa da Mulher já retornaram para suas residências.
Paralelamente, a Secretaria de Habitação ampliou o cadastramento de famílias que sofreram danos em suas casas. O objetivo é encaminhar auxílios para reparos emergenciais, principalmente em imóveis que tiveram prejuízos em telhados e estruturas. Também segue a distribuição de lonas e telhas.
Voluntários ajudaram em resgates

A mobilização durante a enchente não ficou restrita aos órgãos públicos. O Pampa Jipe Clube participou das ações de resgate e auxiliou aproximadamente 30 famílias que ficaram isoladas em áreas alagadas ou de difícil acesso. Cerca de dez voluntários atuaram com cinco veículos preparados para enfrentar terrenos tomados pela água.
Segundo o presidente da entidade, Gullit Grando, os atendimentos marcaram os voluntários pela situação enfrentada por crianças e idosos.
Com os níveis dos rios estabilizados e a chuva perdendo intensidade, a prioridade das autoridades passa a ser a reconstrução das áreas atingidas e o retorno gradual da normalidade para as famílias afetadas pelo maior evento climático registrado na cidade nos últimos anos.


