
Uma fiscalização realizada pelo Comando Ambiental da Brigada Militar apontou irregularidades em quatro estações elevatórias de esgoto operadas pela Corsan em Passo Fundo, no norte do Estado. A vistoria ocorreu após denúncias recebidas pelos órgãos ambientais e resultou no encaminhamento de um relatório ao Ministério Público (MPRS).
Segundo informações do Batalhão Ambiental, a operação foi realizada em junho e identificou problemas em todos os locais vistoriados.
As estruturas fiscalizadas estão localizadas nos bairros Operária, Petrópolis, Santa Maria II e Valinhos.
De acordo com o levantamento produzido, foram verificados episódios de esgoto sem tratamento e transbordamento de dejetos.
O relatório aponta ainda que o material teria alcançado cursos d’água, áreas próximas às estações e, em alguns casos, terrenos de imóveis vizinhos.
Durante a fiscalização, moradores também foram ouvidos pelas equipes. Eles apresentaram fotos e vídeos que, segundo a Polícia Ambiental, passaram a integrar a documentação reunida na investigação.

Licenças de operação também foram analisadas
Além da vistoria técnica nas estruturas, os policiais analisaram as licenças de operação das estações elevatórias e ouviram representantes da companhia responsável pelo sistema.
Conforme o relatório, foram identificados descumprimentos de condições previstas nos licenciamentos ambientais das unidades fiscalizadas.
A partir dessas constatações, foi registrado um boletim de ocorrência e elaborado um relatório técnico encaminhado ao Ministério Público.
Ministério Público e Corsan
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público, que afirma que analisa o caso.
Procurada para comentar os apontamentos realizados pelo Comando Ambiental da Brigada Militar, a Corsan encaminhou nota, onde afirma que apresentou, dentro do prazo legal, sua defesa administrativa. Confira abaixo.
"A Corsan recebeu a Notificação nº 068/2026 e apresentou, dentro do prazo legal, sua defesa administrativa, acompanhada das informações técnicas relativas à operação da Estação Elevatória de Esgoto da Rua Paissandu, no bairro Petrópolis, em Passo Fundo.
As vistorias realizadas pelas equipes técnicas após o registro da ocorrência não identificaram evidências de extravasamento de esgoto no local. Até a conclusão da etapa definitiva da implantação do sistema, a companhia opera, em caráter provisório, com retirada diária dos efluentes por caminhão hidrojato e transporte para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto Miranda, procedimento que assegura a continuidade da prestação do serviço.
A Corsan ressalta que situações de extravasamento, quando efetivamente verificadas, podem decorrer de diferentes fatores, cuja origem deve ser apurada tecnicamente. Entre eles estão o descarte irregular de resíduos na rede coletora, ligações clandestinas de águas pluviais no sistema de esgoto, obstruções provocadas por materiais lançados indevidamente nas tubulações e até eventos climáticos extremos que sobrecarregam as redes. Por isso, cada ocorrência é deve ser analisada de forma individual, a partir de vistorias e avaliações técnicas, para identificação de sua causa e adoção das medidas cabíveis.
Em relação aos questionamentos sobre eventuais impactos ambientais, os monitoramentos realizados pela Companhia não apontaram alterações relevantes na qualidade da água dos cursos hídricos da região.
Por fim, a Corsan reafirma que permanece à disposição dos órgãos competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e seguirá colaborando com o processo administrativo, sempre pautada pela transparência, pelo cumprimento da legislação ambiental e pela prestação de serviços com segurança para a população."




