A chuva histórica que atingiu Passo Fundo, no norte do Estado, entre a terça-feira (21) e a manhã desta quarta-feira (22) deixou novamente prejuízos para moradores do bairro Entre Rios. Com a água invadindo casas em poucos minutos, famílias perderam móveis, eletrodomésticos e precisaram deixar suas residências às pressas para buscar abrigo.
Entre os atingidos está Júlio Cesar, morador da região que relata conviver com alagamentos há anos, mas afirma que nunca havia visto a água subir tão alto.
— A chuva começou cedo da tarde. A água foi invadindo as casas e não deu tempo de tirar as coisas. Foi muito ligeiro. Estamos esperando alguém dar uma resposta para ver o que vamos fazer. Faz cinco anos que passamos por essa dificuldade, mas foi a primeira vez que a água chegou tão alta — conta.
Segundo ele, a água chegou à altura dos joelhos dentro da residência e só começou a baixar quase de madrugada.
— Ontem eu nem fui trabalhar porque já estava preocupado. Quando vimos, a água começou a subir. Nem dormi a noite inteira com medo de perder as coisas. A gente demora para conseguir comprar e perde tudo em questão de segundos — lamenta.
Outro morador do bairro, Mateus Rodrigues Alves conta que a família conseguiu salvar apenas parte dos pertences:
— Não teve o que fazer. O que deu para erguer, a gente ergueu. Tiramos o que conseguimos e o resto ficou. Moramos aqui há dez anos e isso só aconteceu uma vez, em 2023. Agora foi do mesmo jeito.
Já Joel Andrade contabiliza prejuízos também com o veículo, que ficou completamente alagado.
— A gente perde tudo em questão de segundos. A água subiu em torno de um metro e meio. Na última enchente, meu vizinho tinha conseguido uma geladeira e outras coisas para recomeçar. Agora perdeu tudo de novo — lembra.
Segundo maior acumulado de chuva da história
Passo Fundo registrou o segundo maior acumulado de chuva em 24 horas da história entre a terça-feira (21) e a manhã desta quarta-feira (22).
Conforme dados da estação meteorológica do Inmet instalada na Embrapa Trigo, foram registrados 171,4 milímetros de precipitação no período, volume inferior apenas ao recorde de 174 milímetros, registrado em 28 de abril de 1998.
Somente neste mês, o município já acumula 310,8 milímetros de chuva. O temporal provocou alagamentos em diversos pontos da cidade, bloqueou ruas e obrigou famílias a deixarem suas casas.
As equipes registraram ocorrências em 11 bairros, Entre Rios, Ocupação Floresta, Ocupação Bela Vista, Santa Maria, Victor Issler, Santa Marta, Vila Ipiranga, Maggi de Césaro e Vila Cruzeiro.
Até o momento, 98 pessoas atendidas pela Defesa Civil precisaram sair de casa. Destas, 19 estão acolhidas em um albergue e na Casa da Mulher. Não há registro de feridos.
A Defesa Civil realizou 176 atendimentos, entre entrega de lonas, corte de árvores, retirada de moradores e remoção de móveis. Além disso, 60 animais foram resgatados e encaminhados para a Coordenadoria do Bem-Estar Animal.

