
Levantamento do Departamento de Transportes e Serviços Públicos mostra que Passo Fundo, no norte do Estado, possui 211 registros ativos na atividade de motofrete, modalidade voltada aos serviços de entrega rápida realizados principalmente por motociclistas.
O número reflete o crescimento do setor nos últimos anos, impulsionado pela expansão dos aplicativos de entrega, do comércio eletrônico e da demanda por serviços de transporte ágil de mercadorias na cidade.
Parte desses profissionais já atende aos critérios exigidos para solicitar o Move Brasil, programa do governo federal que oferece linha de crédito destinada ao financiamento de bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores e motocicletas elétricas para trabalhadores do segmento.
— O trânsito em Passo Fundo está muito complicado, não somos tão valorizados. Ter uma moto nova para trabalhar faz muita diferença. O parcelamento fica mais suave, ter esse incentivo ajuda — disse o entregador Daniel Moreira Santarém, que atua no ramo há oito anos.
O número de beneficiados no município pode ser ainda maior, uma vez que o setor absorve trabalhadores na informalidade ou que atuam em aplicativos de entrega utilizando apenas o CPF.
Para o profissional, a linha de crédito poderia abranger os demais microempreendedores individuais do ramo, já que é mais fácil conseguir um emprego na cidade como prestador de serviço.
— Quando falamos de direitos, eu preferiria ter carteira assinada. A gente não está seguro de nada, se for parar para pensar, né? Mas, em Passo Fundo, vários lugares só aceitam o motoboy como MEI, o que é melhor para eles.
As principais propostas do programa são: parcelas menores e descontos direto de fábrica. Em uma simulação de mercado para uma operação de crédito no valor de R$ 21 mil, estima-se que a prestação mensal fique na casa dos R$ 552.
Dificuldade de aprovação e pejotização

O programa, que foi lançado no inicio de junho, possui baixo número de adesões:
— Eu mesmo tentei me inscrever, mas não fui aprovado por conta dos requisitos. Eles aceitam apenas quem está nos aplicativos ou CLT, e eu já trabalhei como MEI fora dos apps, em diversos lugares — relata Daniel.
Quem pode se inscrever
Os profissionais autônomos — como ciclistas, motofretistas e mototaxistas— precisam estar cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses, somando um histórico mínimo de 100 corridas ou entregas realizadas.
O programa também contempla trabalhadores do regime CLT que possuem carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.
Se aprovado, o trabalhador não tem a liberação do dinheiro de forma automática — o financiamento fica sujeito à aprovação e análise de crédito dos bancos parceiros, como CAIXA e Banco do Brasil.



