
Passo Fundo, no norte do Estado, gera cerca de 230 toneladas de resíduos sólidos por dia. Desse total, apenas 9% (cerca de 20 toneladas) são reciclados ou reaproveitados. A destinação correta do lixo é lembrada neste domingo (17), Dia Mundial da Reciclagem.
O índice, apesar de estar acima da média nacional, poderia ser maior se houvesse separação correta dos materiais descartados. Há 16 anos, a cidade foi uma das primeiras da Região Norte a implementar a coleta seletiva com contêineres para separação dos resíduos.
Hoje, a coleta segue o mesmo modelo na região central e principais avenidas. Já nos bairros, o recolhimento é feito porta a porta. Atualmente, três cooperativas conveniadas com a prefeitura realizam o serviço de reciclagem. São elas:
- Associação de Recicladores Parque Bela Vista (Recibela)
- Cooperativa Amigos do Meio Ambiente (Coama)
- Cooperativa Mista de Produção e Trabalho dos Empreendedores Populares da Santa Marta (Cootraempo).
As cooperativas são responsáveis pela reciclagem de 5% do total de resíduos no município. O restante corresponde aos catadores individuais e empresas privadas contratadas para retirar o material em indústrias e empreendimentos da cidade.
— Nós estamos até acima da média nacional, que recicla em torno de 4% a 5% do lixo gerado. Mas, hoje, nós não temos uma separação correta de resíduos e esse material chega misturado lá nos recicladores, e acaba perdendo o valor de mercado e sendo rejeitado. Queremos melhorar e aumentar, e trabalhamos nisso diariamente — projeta o secretário municipal interino de Meio Ambiente, Luiz Fabricio Scheis.
Como funciona a coleta seletiva em Passo Fundo

Resíduos recicláveis e os descartáveis são coletados por duas empresas contratadas pela prefeitura. Na região central e nas avenidas principais, onde há contêineres, o trabalho é feito pela Codepas. Nos bairros, é realizada pela empresa Bella Cittá.
Tudo que é classificado como possível material de reciclagem é enviado para a Central de Triagem de Resíduos Sólidos. Lá, cooperados da Recibela fazem o trabalho de triagem desses materiais, separando o que vai para reciclagem e o que será destinado para o aterro sanitário em Victor Graeff, gerenciado pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR).
Na central de triagem, são 65 cooperados envolvidos no processo de reciclagem. Conforme o assessor do Projeto Transformação, que presta atendimento às cooperativas do município, Vinícius Luís Balbino, são recebidas cerca de 200 toneladas de resíduos todos os dias, porém, menos de 5% disso é reciclado:
— Nossa média por mês é de 300 toneladas recicladas, O restante de 5,7 mil toneladas que recebemos são rejeitos e orgânicos, que são descartados. Os números não demonstram avanço significativo devido à falta de investimento adequado em tecnologia para os processos de reciclagem.
Ainda conforme Balbino, a média salarial dos cooperados da Recibela chega a R$ 4 mil mensais.
Prefeitura gasta R$ 800 mil por mês para enterrar resíduos

O descarte no aterro sanitário tem um custo de R$ 0,15 por quilo para os cofres públicos. Em números mais atualizados, em março de 2026, foram 5,4 mil toneladas de resíduos enviadas ao aterro, o que gera uma média de R$ 800 mil por mês para o descarte.
O valor, apesar de alto, pode ser reduzido com ampliação da reciclagem dos materiais, o que também passa pela educação da população.
— Muito material que chega na cooperativa é contaminado e não pode ser reciclado. A prefeitura pensa em alternativas para melhorar isso. O principal é a educação ambiental das pessoas, para que haja separação correta dos resíduos, para reutilizar e comercializar esse material. Também pensamos em modelos maiores de contêineres, que queremos implementar este ano — resume o secretário.
Na visão dos catadores, uma ampliação da coleta seletiva também passa pela educação ambiental, mas principalmente por mais investimentos no trabalho dos cooperados e um entendimento de que a função também faz parte da economia e gera renda para moradores.
— O primeiro passo é entender que a reciclagem é algo muito mais amplo. Falta um olhar estratégico de organização sistemática, a começar pela educação socioambiental. Precisamos de investimentos pontuais, tecnologias para um trabalho digno e olhar para a reciclagem como um campo de economia de geração de renda, implementando uma coleta seletiva efetiva e correta — completa Balbino.




