O julgamento dos acusados de serem os mandantes das mortes de Neusa Maria Rapkievicz, 56 anos, e Ana Paula Rapkievicz, 32, começou por volta das 10h desta quarta-feira (20), no Fórum de Casca, no norte do Estado.
Pai e filho, Davide Tickz e Vanderlei Tickz sentam no banco dos réus sob acusação de participação no duplo homicídio ocorrido em junho de 2020. Eles seriam julgados em 31 de março, mas o júri foi adiado em razão da ausência do advogado de defesa, que apresentou problemas de saúde.
No júri, três executores do crime já haviam sido condenados a penas que variam de 28 a 49 anos de prisão. Eles foram responsabilizados pelas qualificadoras de promessa de recompensa e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Ao todo, seis testemunhas serão ouvidas em plenário — quatro indicadas pelo Ministério Público, uma pela assistência de acusação e uma pela defesa — além dos interrogatórios dos réus. O primeiro a depor foi o delegado Venicios Demartini, responsável pela investigação do caso.
Antes do início da sessão, familiares acompanharam a chegada dos acusados ao fórum. Cunhada de Neusa, Paula Mileski diz que espera a condenação dos réus.
— Ele não matou só essas pessoas, ele prejudicou mais ainda essa criança (filha de Vanderlei). Então a família quer justiça e a gente tem certeza que hoje vai ser essa condenação e que tem que ser a pena bem alta por um crime tão violento que ele cometeu — disse.
O Ministério Público sustenta que pai e filho foram os mandantes do crime e afirma que o conjunto de provas reunido ao longo da investigação reforça a responsabilização dos acusados.
— Pai e filho foram mandantes do duplo homicídio de mãe e filha. O conjunto probatório, assim como visto também no primeiro júri, é muito rico e direciona de forma bastante contundente a responsabilização dos réus — afirmou o promotor Fabrício Gustavo Allegretti.
Segundo o MP, dezenas de diligências técnicas foram realizadas durante a investigação e devem ser apresentadas aos jurados ao longo do julgamento. A expectativa é de que os debates ocorram ainda nesta quarta-feira e que a sessão se estenda até a noite.
Relembre o caso
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, mãe e filha, Neusa e Ana Paula Rapkievicz, foram assassinadas a tiros no dia 14 de junho de 2020, quando voltavam para casa, em uma área do interior do município de Casca. Para a acusação, o ataque foi planejado com antecedência e teria como pano de fundo disputas familiares.
Entre os motivos apontados estão conflitos patrimoniais e desentendimentos envolvendo a guarda de uma criança, neta e sobrinha das vítimas. A menina é filha de um dos réus com a ex-companheira, que já morreu.

Ainda conforme a acusação, os mandantes teriam pago ao menos R$ 20 mil para a execução do crime e oferecido suporte aos executores, incluindo informações sobre o local, transporte, estadia e armas utilizadas.
O Ministério Público também sustenta que o homicídio teve motivação considerada torpe, já que teria relação com questionamentos feitos pelas vítimas sobre a morte da ex-companheira de um dos réus, registrada como suicídio à época.
O processo envolvendo um sexto acusado, também apontado como executor, foi desmembrado. A razão é que ainda não houve trânsito em julgado da decisão que o levou a júri.


