A redução no nível da barragem do Capingui, localizada entre Marau e Mato Castelhano, no norte do Estado, voltou a preocupar moradores e autoridades neste mês de maio. A situação levou o Ministério Público a retomar uma investigação sobre a operação do reservatório.
Áreas que antes estavam cobertas por água agora estão secas, com o leito exposto a ponto de permitir que se ande a pé ou dirija de carro em um local que estava alagado há poucas semanas.
Em alguns trechos, o chão rachado tomou o lugar do grande lago que alimenta a Usina Hidrelétrica Capingui, atualmente gerida pela CEEE-G (Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica), privatizada em 2022.
Para quem tem casa ou costuma frequentar a região, a mudança na paisagem também tem impacto direto no lazer. O aposentado Adroaldo Reder mora há 22 anos próximo à barragem e relatou surpresa com a diminuição da água:
— Acredito que baixou em torno de uns sete metros. Agora não tem como chegar perto da água, está puro barro. Não consigo andar de barco.
Problema antigo
O Ministério Público acompanha o caso há anos e aponta episódios recorrentes de esvaziamento excessivo. Em dezembro do ano passado, o MP havia notificado a CEEEG sobre o problema.
O promotor de Justiça Paulo Cirne explica que, mesmo após mudanças na licença de operação junto à Fepam, o problema persiste.
— Ao longo dos anos, nós conseguimos fazer uma mudança na licença de operação junto à Fepam, em que se reduziu um pouco o nível máximo que o reservatório pode ser esvaziado. Mesmo assim, esse nível ainda é muito baixo e isso causa situações como hoje, com reservatório extremamente vazio — afirma.
A situação também causa impactos ambientais, como a perda de biodiversidade, especialmente por prejudicar a reprodução dos peixes.
Procurada pela reportagem, a CEEE-G, do grupo Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), optou por não se manifestar sobre o caso. O espaço segue aberto.


