Para a empresária Tayana Zanette, o domingo (10) é o ensaio de uma vida inteira: o primeiro Dia das Mães com o filho ainda no ventre. Já para a enfermeira Carina Machado, é o dia de finalmente respirar aliviada. Duas histórias que começaram em Passo Fundo e ensinam sobre espera e expectativa.
Três anos após adotar Luíza Vitória, Carina vai comemorar sem que a pequena esteja envolta por aparelhos. Segundo relato da mãe, a criança foi vítima, ainda bebê, de agressões de sua genitora, o que deixou sequelas.
Apesar de não estar nos "padrões de adoção” quando Carina a conheceu, o amor despertou quase de forma imediata:
— A assistente social me mandou uma foto para conhecê-la e eu já me apaixonei assim, pela foto mesmo. Foi chocante ver ela completamente sedada, com sonda. Quando cheguei em Passo Fundo, eu já sabia que não queria ir embora sem ela.
Luíza, ou Lulu, era uma bebê que chorava muito no abrigo, necessitava de cuidados médicos constantes e posteriormente foi diagnosticada com autismo.
— Quando nos habilitamos para adotá-la, a gente deixou claro que não nos importávamos se tivesse qualquer deficiência. Quando a Lulu veio com a gente, já nos preparamos para o acompanhamento médico, fisioterapia, todo o apoio.
Futuro de esperança
Carina e o marido, Cristiano Machado, foram avisados que a bebê poderia nunca se recuperar. No entanto, com paciência, tratamentos adequados e afeto, Luiza hoje já não precisa dos aparelhos.
— Ela está falando “mamá”, “papai”, “popó” da Galinha Pintadinha. Ela engatinha, dança, come. Esse Dia das Mães vai ser mágico, o melhor de todos. Ela vai se sentar na mesa com a gente e comer, sem um monte de equipamento — conta a mãe, emocionada.
A espera de Carina e o marido foi maior que de uma gestação: durou quatro anos. O casal passou por duas inseminações artificiais que falharam e, depois, se habilitou para adotar.
— Agora a expectativa é de retirar uma válvula que foi colocada na cabeça dela para tratar a lesão no crânio. Estamos muito esperançosos para que ela caminhe depois disso. Eu digo que o amor supera tudo! Tudo, tudo — diz.
A bebê teve seu nome alterado quando adotada, e seu segundo nome, Vitória, não é por acaso. A mãe, alegre e esperançosa, deixa um recado às famílias:
— Uma mensagem que eu quero transmitir é que as pessoas deixem disso de querer adotar um filho "perfeito". Tem muitos no abrigo precisando de amor.
À espera da Sol
Para a empresária e neuropsicopedagoga Tayana Moreira Zanette, a expectativa também é grande, mas diferente. A mamãe de primeira viagem gesta o primeiro filho: uma menina chamada Sol.
— Sempre enxerguei o corpo da mulher como esse portal sagrado e de sabedoria, mas agora viver na prática a sagrada criação, transforma completamente a visão que eu tinha.
Em seu chá revelação, Tayana conta que Sol deu sinais de que era menina e que seu nome já estava escolhido. A empresária conta que foi presenteada com um girassol quando contou para a família que ela e o marido, Iuri Dorigon, estavam esperando um bebê.
— O meu chá revelação também foi uma coisa mágica. Vinte minutos depois de revelar o sexo, abriu um sol no horizonte. No baú que meu pai preparou para revelar a cor, ele escolheu colocar pedrinhas do sol. Pra mim, ela deu vários indícios de quem era — relembra.
Neste domingo, a comemoração será de expectativa e afeto para a chegada do primeiro bebê, com reunião em família.
— Vamos passar com todas as mães, grudadas. Vai ser o meu primeiro Dia das Mães, e é muito especial — conclui Tayana.
