
Economia, praticidade e ganho de tempo são algumas das características citadas por quem usa motos elétricas em Passo Fundo, no norte do Estado. Os modelos que dispensam a CNH, chamados de autopropelidos, similares a motocicletas e scooters, têm ganhado espaço na cidade.
Conforme classificação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), esses equipamentos são de mobilidade individual e possuem motor elétrico, uma ou mais rodas, velocidade de até 32 km/h e potência de até 1 mil watts. Além da CNH, também dispensam registro e emplacamento.
Pela facilidade, são meio de transporte alternativo para quem quer autonomia, deixar de utilizar o transporte coletivo e até mesmo economizar no combustível ou em corridas de aplicativo.
— Aqui na cidade temos interessados dos 15 aos 65 anos, seja para ir trabalhar, estudar ou fazer compras. Os que mais saem são os triciclos e patinetes. O custo de dois litros de gasolina você paga a conta de luz para recarga do mês todo — analisa Tiago Santos Lucas Silvério, gerente comercial de uma loja especializada.
No comércio, o investimento varia entre R$ 2,5 mil e R$ 13 mil, desde modelos mais simples, como os patinetes, até mais completos com freio a disco, bancos de couro e espaço para duas ou três pessoas.
"Me arrependo de não ter comprado antes"
A administradora Ângela Maria Ferreira investiu na moto elétrica durante a pandemia, para deixar de pegar ônibus e se expor ao vírus da Covid-19 ao ir trabalhar:
— Eu trabalho no bairro Petrópolis e moro no Boqueirão, uma distância grande e gastava com ônibus. Optei pela moto, motivada pelo valor e independência, e supriu super a minha demanda. Além de ser menos um veículo ocupando o trânsito e poluindo. Me arrependo de não ter comprado antes.
Já a arquiteta e vendedora Tatiana Borges Homrich conta que comprou a primeira moto em 2024 e já está no segundo modelo. Para ela, o veículo é sinônimo de praticidade no dia-a-dia:
— Faço oito quilômetros por dia e não gasto nem R$ 4 na conta de luz. É muito melhor do que ter um carro porque não gasto com óleo, gasolina e essas coisas. É que nem um celular, só carregar direitinho que não dá problema.
Autopropelidos e ciclomotores
A Resolução 996 do Contran determina que autopropelidos são equipamentos de mobilidade individual com as seguintes características:
- Uma ou mais rodas;
- Potência máxima do motor de propulsão de até 1.000 W;
- Velocidade máxima de fabricação não superior a 32 km/h;
- Largura não superior a 70 centímetros e distância entre eixos de até 130 centímetros;
Os modelos são semelhantes a motos, mas também estão nessa categoria os patinetes elétricos, hoverboards, monociclos, triciclos elétricos e skates elétricos.
Quando os limites de velocidade, de potência e de dimensão ultrapassam os determinados aos autopropelidos, o equipamento de mobilidade individual passa a ser classificado como ciclomotor ou motocicleta tradicional, conforme suas especificidades (veja abaixo).
Situação no trânsito
O Código de Trânsito Brasileiro determina como obrigatória para os autopropelidos a presença de campainha, indicador de velocidade e sinalização noturna dianteira, traseira e lateral. É permitido que circulem nas ciclovias e ciclofaixas, sempre priorizando o pedestre.
A especialista em Gestão e Educação para o Trânsito, Raquel Rubio, aponta que, mesmo sem a necessidade de habilitação, os veículos exigem responsabilidade no trânsito e cuidado com a velocidade para evitar risco de acidentes.
— A fiscalização ainda está em adaptação em todo o país , mas pode ocorrer quando há condução perigosa. A tecnologia veio para facilitar a mobilidade, mas sem consciência, pode aumentar os riscos, principalmente para os mais vulneráveis — salienta Raquel.




