
Há mais de cinco anos, Marizete Perin espera por justiça pela morte da filha Paula Perin Portes, 18 anos, assassinada em Soledade, em julho de 2020. O julgamento, adiado duas vezes, está marcado para a próxima terça-feira (7).
— Faz cinco anos que não saio de casa, e que ela (Paula) não sai da minha cabeça. Eu estou tomando remédio para poder me manter de pé. Eu espero, pelo amor de Deus, que se faça justiça, que sejam condenados. Foi uma brutalidade, uma covardia o que eles fizeram com a minha filha — disse Marizete, emocionada.
Os quatro réus, acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, vão a júri a partir das 13h30min na Câmara de Vereadores de Soledade. São eles:
- Gesriel da Cunha Wedy
- Dionatan Portella da Silva
- Micael Willian Rossi Ortiz
- João Albino Abegg dos Santos
Ao todo, 16 testemunhas de defesa e de acusação serão ouvidas no julgamento, que não tem previsão de término. Pouco antes do crime, Marizete relembra que tinha planejado uma surpresa para a filha, mas nunca pôde entregar o presente:
— Eu comprei uma moto pra ela e estava juntando o dinheiro para fazer a carteira. Depois disso, ela me disse que ia passar um tempo com o pai em Soledade, e foi logo no mês que tudo aconteceu. Deixei a moto dela ali, guardada. O que fizeram foi muita maldade. Pegar minha filha, enterrar, desterrar, enterrar em outro lugar.
Paula tinha completado 18 anos pouco mais de um mês antes de desaparecer, em 11 de junho de 2020. O corpo dela foi encontrado dois meses depois. Até hoje, Marisete mantém o quarto da filha na casa onde vive, em Fontoura Xavier, com porta-retratos, medalhas e troféus conquistados pela jovem em campeonatos de vôlei.
Relembre o caso
Paula desapareceu na noite de 11 de junho de 2020 após sair da casa de amigos e ir ao encontro de Micael Wilian Rossi Ortiz. A jovem havia se mudado para o município poucas semanas antes do assassinato para morar com o pai e procurar emprego.
Naquela noite, o encontro com Micael aconteceu em uma residência em Soledade. De acordo com a polícia, cinco homens estavam com Paula na casa — quatro deles foram indiciados: Gesriel, Dionatan, Micael e João, que serão julgados na terça-feira.
O quinto, dono da residência, apesar de ter sido preso no começo da investigação, foi excluído da relação dos investigados e passou a figurar na condição de testemunha no inquérito.
A jovem foi morta por asfixia e teve o corpo ocultado em uma zona de difícil acesso no interior do município.
A bolsa de Paula foi localizada em 4 de agosto de 2020 em um açude nas margens da BR-332, em Soledade. Dias depois, em 17 de agosto, o corpo da vítima foi encontrado após uma série de buscas frustradas por mudanças no esconderijo do corpo.
Para o Ministério Público, Paula foi morta por desejo de vingança de Dionatan Portela da Silva, que é ex-namorado de Thaís Corrêa de Oliveira, uma das melhores amigas da vítima em Soledade. A jovem teria presenciado cenas de agressão praticadas por ele contra sua ex-companheira.
A acusação detalha que Dionatan também temia que Paula revelasse seu envolvimento com o crime organizado, com o tráfico e com cargas ilegais de cigarros. Thaís, que prestaria depoimento no julgamento, foi morta a tiros em 2022. A polícia trata o caso como assassinato encomendado.




