
Cerca de 180 estudantes de duas escolas municipais de Charrua, cidade de 2,7 mil habitantes no norte do RS, completaram nesta quarta-feira (1°) duas semanas sem aulas presenciais. O problema se arrasta desde 18 de março, quando um grupo de indígenas ocupou a quadra de esportes das instituições.
Por segurança, o município suspendeu as atividades e solicitou uma ordem de reintegração de posse. Mesmo com a determinação, os cerca de cem indígenas permanecem na quadra, compartilhada entre a Escola de Ensino Fundamental Carmelina Baseggio e da Escola de Educação Infantil Dentinho de Leite — a única da cidade que atende bebês e crianças pequenas.
O grupo montou barracas e passou a residir no espaço depois de deixar a Terra Indígena do Ligeiro, área de 4,5 mil hectares em Charrua, por divergências com o cacique.
Conforme o líder Lairton Ferreira, o grupo foi forçado a sair por denunciar um desmatamento na área. Já o cacique, Marciano Palhano, afirmou que a expulsão ocorreu pelo descumprimento de regras internas.
Na terça-feira (31), famílias dos estudantes estiveram na prefeitura em busca de solução para o problema. O município informou que o caso está sob responsabilidade da Justiça Federal e que aguarda mediação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
— A prefeitura fez reuniões com o Estado e estamos tentando uma solução junto aos órgãos competentes, para que alguém determine o que deve ser feito — disse a secretária municipal de Planejamento, Andressa Soccol.
A reportagem procurou a Funai, que não retornou aos contatos até o momento da publicação. O espaço segue aberto.




