
Nesta quarta-feira (8), é celebrado o Dia Mundial da Astronomia, data que convida os curiosos a olharem para o céu e descobrirem a vastidão do universo.
Em Passo Fundo, no norte do Estado, o que começou como um hobby de infância para Vitor José, 27 anos, se transformou no Observatório Astronômico Araucária. Pioneiro na cidade, hoje integra a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon) e colabora com bancos de dados mundiais.
— Sempre gostei de observar o céu desde criança, mas tudo mudou na escola, quando tive a oportunidade de observar o céu com um telescópio. Depois da primeira observação, fiquei fascinado pelo assunto e não parei mais — relembra.
Para quem deseja embarcar nessa jornada científica, o astrônomo amador destaca que não é necessário um investimento alto. A câmera do próprio celular pode ser um ponto de partida.
— Podemos utilizar o modo Pro, onde é possível configurar exposições mais longas, permitindo que o sensor capture mais luz. Assim, é possível registrar a Via Láctea e conjunções de planetas com a Lua — explica Vitor José.
Além disso, também é possível acoplar o celular a um telescópio de pequeno porte e, assim, também registrar planetas e estrelas.
Com a ajuda do astrônomo, GZH Passo Fundo reuniu algumas dicas para quem quer começar a explorar os mistérios do cosmos. Confira a seguir.
1. Kit básico para iniciantes
Embora o telescópio seja o item mais conhecido, Vitor José sugere outros instrumentos que podem ser igualmente eficazes para quem está começando:
- Binóculos: um modelo 10 x 50 mm já permite observar a Lua em detalhes, conjunções planetárias e até cometas;
- Tripé: um suporte robusto é indispensável para evitar tremores, tanto para o telescópio quanto para câmeras fotográficas;
- Câmera: a câmera fotográfica também é um item essencial para observação e registros da Via Láctea, cometas e conjunções planetárias;
- Telescópio: modelos de pequeno porte garantem registros incríveis das crateras lunares e de planetas.
2. Astrofotografia com o celular
Além das câmeras profissionais, os smartphones modernos permitem observar os astros utilizando o "Modo Pro". O fundador do Observatório Araucária ensina como configurar:
— Coloque o tempo de exposição o maior possível, ajuste o foco para o infinito (ou símbolo da montanha), aumente o ISO ao máximo e utilize um timer de três segundos.
Outra dica é fixar o celular em um tripé, ou deixá-lo bem apoiado, e apontar para o céu em um local escuro.
3. Onde e quando observar

A poluição luminosa das cidades é a principal inimiga da astronomia. Por isso, os melhores locais são os mais escuros e afastados dos centros urbanos.
— Para observar a Via Láctea, é importante conferir o calendário lunar: as melhores condições ocorrem em noites mais escuras, com lua minguante ou lua nova — adiciona Vitor José.
O astrônomo indica aplicativos gratuitos como Stellarium e Star Walk que podem ajudar na localização dos astros e a identificar constelações e planetas em tempo real.
4. Principais cuidados
O astrônomo de Passo Fundo também faz uma ressalva: nunca apontar telescópios, câmeras ou binóculos diretamente para o Sol.
Ele alerta que a luz solar concentrada por esses instrumentos pode causar danos à visão e queimar os sensores dos aparelhos. Por isso, a observação do Sol só deve ocorrer com o uso de filtros adequados.
O que esperar de 2026?
Após um 2025 repleto de cometas raros e chuvas de meteoros históricas registradas em Passo Fundo, o ano de 2026 promete manter os entusiastas ocupados. Além da visibilidade favorável de planetas como Vênus, Marte e Saturno, o calendário astronômico segue com a expectativa de fenômenos imprevisíveis que podem surgir a qualquer momento no horizonte gaúcho.



