
De soluções voltadas à saúde até aplicações no varejo e no agronegócio, plataformas de inteligência artificial (IA) já integram o dia a dia de organizações em Passo Fundo. A tendência se reflete no mercado de trabalho: uma pesquisa da plataforma LinkedIn mostra que engenheiro de IA lidera o ranking das profissões que mais crescem no Brasil.
De acordo com o professor da área de computação da Universidade de Passo Fundo (UPF), Marcos José Brusso, o crescimento acompanha a chamada "segunda onda da IA", com maior demanda por profissionais especializados. A atuação vai além do uso de ferramentas prontas ou interações com sistemas:
— O engenheiro de IA projeta e constrói soluções para resolver problemas das empresas e melhorar processos. Ele não vai só fazer perguntas para um sistema, mas vai identificar onde a IA pode ser aplicada e construir soluções customizadas.
Essa atuação, segundo o professor, exige uma formação mais aprofundada do que outras áreas da tecnologia. Isso porque é preciso congregar o domínio de conhecimentos como matemática, estatística e ciência de dados, além de uma habilidade considerada essencial: o aprendizado contínuo.
— As pessoas estão transferindo para a IA a capacidade de aprender, mas esse profissional não pode parar de estudar. Precisa usar a IA como ferramenta, não como resposta pronta — afirma Brusso.
Aplicações no dia a dia

Na Região Norte, áreas estratégicas como saúde e agronegócio utilizam a tecnologia. As aplicações vão desde o auxílio em diagnósticos médicos até o uso de dados coletados por drones para prever produtividade e identificar problemas nas lavouras.
Na prática, empresas de Passo Fundo desenvolvem soluções baseadas em IA para resolver demandas reais. Um exemplo é o Freud IA, voltado à rotina médica. A ferramenta automatiza processos como agendamento de consultas via WhatsApp, transcrição de atendimentos e organização de prontuários, além de auxiliar na elaboração de receituários.
— Nosso trabalho é entender as necessidades do cliente e desenvolver soluções com segurança, custo controlado e resultado consistente — explica o CTO (diretor de tecnologia) Fernando Vargas.
Outro exemplo é a ferramenta Gondolize, que atua no varejo com monitoramento inteligente de gôndolas. A tecnologia automatiza a análise das prateleiras, permitindo que o varejista antecipe demandas e otimize a operação.
— O especialista em IA se tornou o motor de eficiência das empresas. O mercado não é mais promessa, é realidade. Passo Fundo já demonstra capacidade de criar projetos robustos, deixando de ser apenas consumidora de tecnologia para se tornar produtora de soluções — afirma o head de tecnologia, Paulo Henrique Santini.
Formação acompanha crescimento

Segundo o professor Marcos Brusso, a região também conta com formação voltada à área, por meio do curso de Ciência da Computação. Na UPF, a inteligência artificial integra o currículo há mais de duas décadas.
— Temos profissionais sendo formados com essa capacidade. O que ainda precisa avançar é a cultura das organizações, para entender que a IA é uma ferramenta indispensável — afirma.
Em meio a uma transformação no mercado de trabalho, o professor avalia que a tecnologia deve substituir algumas tarefas, mas também abrir novas oportunidades, especialmente para profissionais mais qualificados:
— Assim como em outras revoluções, algumas funções deixam de existir, mas outras surgem. A IA vai possibilitar criar soluções e mercados que hoje ainda nem imaginamos.


