
Uma nova empresa assumiu, nesta segunda-feira, o serviço de vigilância nos fóruns do norte do RS. A mudança ocorre após o encerramento do contrato entre o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) e a empresa Bankfort Vigilância, alvo de denúncias de atrasos salariais e falta de pagamento de benefícios.
Segundo o Sindicato dos Vigilantes, trabalhadores contratados pela Bankfort seguem sem respostas da empresa. Parte deles foi desligada, mas permanece sem retorno sobre salários e benefícios em atraso, como vale-alimentação, segunda parcela do 13º salário e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Na região de Passo Fundo, as reclamações começaram em novembro. Ao menos 130 vigilantes enfrentam o mesmo problema. Em todo o Estado, o sindicato estima cerca de 500 trabalhadores afetados, que atuavam tanto em fóruns quanto para a Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
A Lince Segurança Patrimonial passou a operar nos fóruns após a rescisão unilateral do contrato entre o TJ-RS e a Bankfort. O contrato atual tem vigência até dezembro deste ano e pode ser prorrogado até 2028.
De acordo com o Tribunal de Justiça, o pagamento da nota fiscal de dezembro foi integralmente retido para garantir o repasse dos salários e verbas rescisórias aos vigilantes. O contrato envolvia 103 profissionais em comarcas do norte do Estado, incluindo Passo Fundo, Carazinho, Marau e Lagoa Vermelha.
O Sindicato dos Vigilantes informou que as regiões estão ingressando com ações coletivas e pedidos de bloqueio de faturamento para assegurar o pagamento dos trabalhadores. O presidente do sindicato de Passo Fundo, Carlos Roberto Mello Guedes, afirmou:
— A gente está aguardando a Justiça liberar valores que estão bloqueados para a Seduc, para o pagamento deles. Já o do fórum é outro processo, que estamos analisando para ver quem vai pagar.
O representante dos trabalhadores também falou das dificuldades enfrentadas pelos vigilantes.
— Mais de 50% dos trabalhadores foram substituídos, estão sem emprego e precisam pagar as contas. A empresa não responde mais ligações, WhatsApp ou notificações. Dependemos da Justiça, porque a Bankfort não responde mais nada — disse.
A Secretaria da Educação informou que um contrato foi extinto e outro rescindido em dezembro. Disse que solicitou à Bankfort a documentação necessária para que a Seduc pudesse efetuar o pagamento direto aos trabalhadores, utilizando valores que seriam da empresa, mas que o pedido não foi atendido. Os valores permanecem retidos, e a pasta estuda a possibilidade de depósito judicial.
A reportagem entrou em contato com a Bankfort, que não respondeu até a publicação. O espaço segue aberto.



