Um grupo de caingangues realizou um protesto na manhã desta terça-feira (10), em frente à sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Passo Fundo, no norte do Estado.
Com cartazes, os cerca de 30 manifestantes pediram justiça após a morte de três pessoas na Terra Indígena Ventarra, localizada no município de Erebango. Eles usaram também tinta à base de urucum para pintar a fachada da Funai, uma referência ao sangue derramado no conflito (veja no vídeo acima).
— Viemos pedir justiça. São seis meses de conflito, mataram o nosso cacique e uma mulher com criança no colo. Inclusive, mataram também um pai de família, que deixou uma mulher gestante. Até agora, nada está sendo resolvido. A gente quer uma posição da Funai e do Ministério Público — afirmou Daniele Souza Carvalho.
A Terra Indígena Ventarra fica em uma área de cerca de 722 hectares e tem sido cenário de conflitos violentos nos últimos meses.
No sábado (7), o local voltou a registrar um embate entre os grupos rivais que disputam o cacidado. Durante o confronto armado, o líder do grupo que se opõe à atual cacica da reserva foi morto a tiros.
Os episódios de violência são registrados desde o ano passado. Em setembro de 2025, um indígena foi morto a tiros durante um confronto. Já em outubro, outros dois indígenas foram presos em flagrante por envolvimento em conflito armado na reserva, motivado por disputa pelo controle da terra indígena. Uma mulher também foi baleada e morreu no ano passado.
A reportagem solicitou um posicionamento da Funai, mas não teve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.
