
O monitoramento do clima tem se tornado uma ferramenta essencial diante de estiagens, chuvas intensas e mudanças no comportamento do tempo. As estações meteorológicas, que coletam dados em tempo real, passaram a ser cada vez mais utilizadas em diferentes setores.
A tecnologia é produzida por uma empresa do Paraná, mas toda a assistência técnica dos equipamentos instalados no país é realizada em Passo Fundo, no norte do RS, onde o sistema tem avançado no mercado local.
— É um equipamento avançado, com inúmeros sensores que auxiliam na tomada de decisão — contou Nei Mello dos Santos, responsável pelo serviço.
O projeto foi desenvolvido inicialmente para uso no campo, como explicou o representante comercial Amarildo da Silva Helmuth:
— Ela foi desenvolvida para ajudar o produtor a criar histórico e ter informações em tempo real no aplicativo do celular. Depois das enchentes no Rio Grande do Sul, abriu-se um precedente para uso pela Defesa Civil. As informações podem ajudar no controle do nível dos rios e do volume de chuva para decisões mais precisas.
Como as estações meteorológicas funcionam?

As estações coletam dados e os enviam automaticamente para o celular do usuário. Relatórios por hora e por dia ajudam no monitoramento de riscos e no planejamento de ações. O sistema não prevê o tempo, mas cria um banco de dados.
Em Passo Fundo, são 12 equipamentos iguais, que processam e transmitem informações como volume de chuva acumulado, utilizado para avaliar o comportamento dos rios que descem da Região do Planalto Médio até o Jacuí.
— O importante é que temos atualização a cada cinco minutos. Isso permite acompanhamento constante, coisa que não existia antes. Hoje já há um banco de dados que fica disponível para pesquisas futuras sobre o comportamento das chuvas — afirmou o coordenador da Defesa Civil municipal, Fernando Carlos Bicca.
Os dispositivos funcionam com energia solar e possuem 13 sensores. O aplicativo reúne informações sobre rajadas de vento, umidade, quantidade de chuva, direção do vento, ponto de orvalho, índice ultravioleta, além de sensores de deslizamento e qualidade do ar.
— A precisão das informações é importante, porque os problemas climáticos já eram citados no passado e não receberam atenção. Hoje estamos vendo esses efeitos — disse Helmuth.
Tecnologia para os agricultores

Na agricultura, o impacto das instabilidades climáticas é direto. Preocupado com a produção, o agricultor Dioenes Vazeran Carmo Júnior instalou estações na propriedade há pouco mais de três anos.
— Tomamos melhores decisões em operações de campo, principalmente de pulverização, que depende de temperatura, umidade e velocidade do vento. Também conseguimos um histórico da safra, com dados sobre temperatura máxima e mínima e distribuição das chuvas — contou.
As informações ficam armazenadas em um banco de dados, que o produtor tem acesso direto pelo celular.
O investimento de Carmo no sistema está relacionado aos eventos climáticos recentes que atingiram o RS e afetaram vários setores.
— Tivemos impacto na logística dentro do Estado, na distribuição e na fabricação. A região que recebe fertilizantes foi muito afetada — disse.
Para os usuários, as estações representam um avanço e permitem saber, em tempo real, o que está acontecendo no ambiente — seja no campo, seja nas áreas monitoradas pela Defesa Civil.
