Em torno de 2,2 mil famílias foram atingidas pelo temporal que deixou um rastro de destruição em Palmeira das Missões, no norte do Estado, na quinta-feira (19) — entre elas, a de Alessandro Lima, 38 anos, morador do bairro Mutirão.
Durante o vendaval que arrancou parte do telhado da residência, ele buscou abrigo dentro de um guarda-roupa junto da esposa e do filho, de nove anos.
— Eu vi o meu filho chorando, peguei ele, abri a porta do guarda-roupa, coloquei ele nesse espacinho, e botei ela (esposa) aqui, e fiquei por cima deles, para não deixar nada acontecer — relatou.
Depois do temporal, a família precisou ir para uma casa alugada pelo irmão de Alessandro, já que a tempestade destruiu boa parte dos móveis e da estrutura da residência. A realidade é semelhante a de outras 40 pessoas que estão desalojadas.
Segundo a prefeitura, 550 casas tiveram danos reportados e a gestão trabalha para publicar o decreto de situação de emergência. Já no centro de monitoramento da Defesa Civil estadual, equipes analisam o evento para identificar que tipo de fenômeno climático atingiu a cidade.
Caminhão também virou abrigo
O galpão de uma empresa de implemento agrícola e ferroviário, no bairro Área Industrial, teve o telhado levado pelo forte vento. Empregados que trabalhavam no local buscaram proteção dentro da caçamba de um caminhão, conta o funcionário Airton De Lara:
— Na hora que a gente entrou no caminhão, veio o vento, e eu me escondi entre a cabine e a caçamba. Nisso, caiu todo o teto. Depois veio uma segunda remessa de vento, dobrou o zinco e empurrou tudo.
Veículos foram danificados e o escritório e galpão da empresa ficaram destruídos. Apesar dos minutos de pânico, nenhum trabalhador ficou ferido.
Aulas suspensas
Em razão dos estragos, as aulas estão suspensas por tempo indeterminado em todas as instituições do município. Na rede estadual, conforme a Secretaria da Educação, 10 das 11 escolas tiveram danos graves na estrutura. A suspensão impacta mais de 2 mil alunos.
No setor de saúde, as unidades de atendimento concentram esforços no posto de saúde do centro e no Hospital de Caridade, que deve operar 24 horas para suprir as urgências.
Já na infraestrutura, segundo a RGE, a luz foi restabelecida para 80% dos clientes. Em relação ao abastecimento de água, a Corsan informa que o serviço deve ser normalizado na madrugada de sábado (21).
A Defesa Civil mantém o alerta para que a população evite praças e áreas arborizadas, devido ao grande número de árvores caídas e ao risco de novos incidentes.





