
Em Iraí, município de 7 mil habitantes no extremo norte do RS, uma escola desenvolve um projeto de educação ambiental que pode se tornar fonte de renda extra para diversas famílias da zona rural a partir da produção de mel.
A iniciativa começou em 2024, com a primeira turma do ensino médio em tempo integral do Instituto Estadual de Educação Visconde de Taunay, escola com cerca de 260 alunos. À época, o então aluno Anderson Eibel, 18 anos, ajudou a desenvolver o projeto que já realizava sozinho na pequena propriedade da família.
— Soube que a professora Vanda estava planejando uma atividade que levasse os alunos para o meio ambiente e os envolvesse mais. Ao mesmo tempo, ela ficou sabendo que eu já trabalhava com abelhas. A gente juntou as ideias e eu ajudei principalmente na parte prática — conta.
No projeto, os alunos trabalham desde a captura das abelhas sem ferrão até a confecção das caixas, o manejo das colmeias e a avaliação da qualidade do mel. Para isso, a escola estruturou um meliponário, espaço destinado à criação organizada das abelhas, que passou a ser utilizado em atividades práticas e de educação ambiental.
— São vários dias de trabalho em campo para encontrar as abelhas, além da confecção das caixinhas e do cuidado com os enxames. A ideia é incentivar que alunos e famílias passem a cultivar mais espécies e entendam a importância das abelhas para o meio ambiente — disse a professora Vanda Cristina Tonial, que coordena o projeto.
Do aprendizado ao gosto pela meliponicultura
A meliponicultura, criação e manejo de abelhas nativas sem ferrão, entrou na vida de Anderson muito antes do projeto começar a ser difundido na escola, quando ele ainda cursava o ensino fundamental.
Filho de pequenos produtores de leite e fumo, ele passou a pesquisar sobre a criação de abelhas como forma de aprendizado e geração de renda e não demorou a entender que a prática é essencial para proteger espécies nativas e incentivar a preservação ambiental, sem contar nos benefícios econômicos para o meio rural.
— Comecei aprendendo sozinho, pesquisando sobre o assunto. Aprendi a fazer iscas para capturar os enxames no mato, a confeccionar as caixinhas e a fazer o manejo. Hoje tenho mais de cem caixas e isso virou uma fonte de renda — conta.
Atualmente, ele cria 11 espécies de abelhas sem ferrão, todas mantidas na propriedade da família, na comunidade de Águas Frias, no interior de Iraí. Entre as principais espécies estão a jataí, iraí e a mandaçaia — esta última entre as mais produtivas, com colmeias que podem render até 6 quilos de mel por ano. Além da venda do mel, também comercializa caixinhas com abelhas.
— A gente captura os enxames e coloca em caixas adequadas para que possam se desenvolver melhor. Hoje muitos enxames acabam em locais inadequados na cidade e morrem por causa de inseticidas ou predadores. É uma forma de ajudar a preservar as abelhas — explica ele.
No projeto da escola, Anderson foi o responsável por ajudar na captura das espécies e pela construção do meliponário, espaço destinado à criação organizada das abelhas. E, mesmo tendo se formado no ano passado, ele segue no projeto — agora como protetor das caixinhas durante as férias escolares.
— Os alunos já até vieram até na minha casa para um dia de campo. Viram como funciona, provaram amostras do mel e viram como fazer o manejo. É o que vou continuar fazendo daqui para frente — relatou ele.
Com o apoio de Anderson e a estrutura já pronta na escola, a iniciativa continuará em 2026, durante as práticas experimentais do 1º ano do ensino médio.
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