
A Razor Computadores, com sede em Passo Fundo, no norte do RS, encerrou as operações. O fim das atividades foi comunicado pela empresa a investidores e confirmado por ex-funcionários. O anúncio ocorreu em 12 de janeiro, durante uma videochamada com os cerca de 30 colaboradores que atuavam na companhia.
GZH Passo Fundo teve acesso a um e-mail de uma plataforma que intermedeia empresas e investidores, confirmando o fato (veja abaixo). No comunicado, são apontados os esforços para reverter a situação da Razor e proteger os investimentos.
O e-mail da Razor enviado à plataforma detalhou diversos fatores que teriam contribuído para o agravamento da crise. Entre eles, o acúmulo de passivos e execuções judiciais, constantes ameaças de suspensão de serviços por credores operacionais e incapacidade de obtenção de capital externo.
"Lamentavelmente, cenários alternativos que buscamos, como buyout ou recuperação judicial, mostraram-se inviáveis. Diante disso, decidimos encerrar as operações e priorizar o pagamento dos funcionários enquanto isso ainda era possível, garantindo-lhes o mínimo de dignidade. De nossa parte, lamentamos profundamente que uma empresa com 12 anos de trajetória, produto validado, demanda reprimida, operações, estrutura e equipe prontas para escalar tenha que encerrar suas atividades dessa forma, por falta de oxigênio financeiro", afirmou a empresa no comunicado à plataforma.
— A Razor está encerrando as operações porque não tem conseguido entregar os pedidos. Nos responsabilizamos por isso — disse André Parisotto Reichert, um dos fundadores, em entrevista a RBS TV e GZH Passo Fundo.
— Nossa intenção sempre foi fazer a Razor ser algo muito grande, não algo limitado e local. A ideia era fazer algo que, de fato, pudesse se tornar global no futuro. Infelizmente, com todas as crises e tudo mais, a gente acabou movendo muito mais para conseguir reestruturar primeiro — completou Grégory Parisotto Reichert à reportagem.
Aumento no preço dos componentes
A Razor alega que o motivo da não entrega dos produtos ainda é reflexo da covid-19: durante a pandemia, o setor da tecnologia viveu uma crise de semicondutores, que se estendeu durante os anos seguintes e segue sendo apresentada aos clientes.
Agora, os irmãos André e Grégory Parisotto Reichert apontam também a popularização da inteligência artificial (IA) como responsável pelo aumento do preço de peças essenciais aos supercomputadores, como memória RAM e placas de vídeo, o que acrescentou novo impacto nos orçamentos.
— Essa questão da escassez gera dificuldade de entrega. Isso causa uma dificuldade de reputação e, por consequência, dificuldade financeira, apesar de termos feito vários esforços de redução de custo ao longo dos últimos três anos — disse André sobre as tentativas de captação de novos recursos para manter a Razor.
Equipe foi informada sobre encerramento via chamada de vídeo
Sob condição de anonimato, dois ex-funcionários da Razor conversaram com a reportagem. Os trabalhadores haviam retornado do recesso na primeira semana de janeiro quando a reunião foi convocada. Segundo os ex-funcionários, os fundadores anunciaram o fechamento da Razor Computadores em reunião virtual realizada em 12 de janeiro. Todos foram informados do desligamento.
Ainda conforme os trabalhadores, muitos tinham ciência da condição crítica das finanças da Razor e da não entrega dos computadores. Alguns, todavia, foram pegos de surpresa.
Nos relatos, ambos afirmaram que a empresa era um bom local para se trabalhar, mas há anos enfrentava problemas na entrega de máquinas. Eles apontam que não acreditam em má-fé, e sim em dificuldades e falta de conhecimento na gestão da empresa.
A Razor Computadores agora deverá decretar falência:
— Dando encerramento às operações, vamos protocolar um pedido de falência da empresa e esperamos que isso consiga solucionar tudo que for possível. A gente sabe que 100% não vai ser solucionado — afirmou André.
Empresa acumulava processos
Especializada na fabricação de computadores de alta performance, a startup Razor Computadores ficou conhecida por arrecadar R$ 1,7 milhão em sete dias através de equity crowdfunding, mecanismo que oferece oportunidades de investimento online. Em 2023, um dos seus fundadores integrou lista da Forbes dos principais nomes do país com menos de 30 anos.
Uma reportagem de GZH de setembro de 2025 expôs que o Ministério Público do Rio Grande do Sul ingressou com uma Ação Civil Pública contra a empresa. O motivo seria a não entrega de máquinas e, concomitantemente, a não devolução dos valores dos pedidos.
— Eu lamento muito. Eu sei o quanto isso impacta a vida de vários profissionais. Tem vários pesquisadores, pessoas com habilidades ou conhecimentos únicos no Brasil que sabe aquela especialidade, e que dependiam de uma ferramenta nossa para conseguir entregar uma determinada pesquisa — pontuou André.
Em uma audiência realizada em março daquele ano, a Razor informou ter 330 pedidos para serem entregues, cada um com valor médio de R$ 20 mil. Ou seja, mais de R$ 6 milhões em passivos. De junho de 2024 a janeiro de 2025, foram 88 novos processos abertos na Justiça.
— Vamos continuar em outros projetos futuros para poder honrar todos de alguma forma, porque a gente nunca construiu a Razor querendo esse desfecho. A gente precisa fazer algo nesse sentido — finalizou Grégory.
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