
Correção: a Justiça não identificou provas que relacionassem a empresa Geneci Rosinha Dal Bello e Cia Ltda ao esquema fraudulento, apesar da condenação a restituir valores, como constou na reportagem das 14h58min às 19h37min de 20 de janeiro de 2026. A informação foi corrigida.
A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul condenou uma ex-diretora financeira e contadora da varejista Grazziotin SA, de Passo Fundo, a devolver mais de R$ 5,3 milhões desviados da empresa. A decisão, publicada em 12 de janeiro, tramitou em primeira instância e é passível de recurso.
No processo que tramitou na Justiça, a empresa relatou que "as irregularidades foram constatadas em auditoria interna". Na ocasião, a ex-diretora financeira e contadora Janete Ingride Cunert teria utilizado seu cargo para inserir dados falsos no sistema, cadastrar notas fiscais inexistentes, alterar titularidade de pagamentos e direcionar transferências bancárias a terceiros.
No processo, a varejista afirma que o esquema funcionou por mais de 10 anos, totalizando desvio superior a R$ 5 milhões. Parte dos valores teria sido utilizada para aquisição de imóveis e ativos em benefício da mulher e de pessoas de sua relação. Além dela, a ação processou outros três envolvidos.
Na condenação, o juiz Evandro Luis Urnau, da 3ª Vara do Trabalho de Passo Fundo, determinou a restituição dos prejuízos, a perda de imóveis ilícitos e a manutenção do bloqueio de bens. A sentença é passível de recurso.
Além da ação de indenização, houve medida cautelar de confisco de imóveis e ações societárias, para assegurar a reparação à empresa lesada. A companhia pediu a restituição integral dos valores desviados e a perda dos bens comprados com os valores ilegais.
O que diz a sentença
No julgamento, a Justiça entendeu que a trabalhadora realizava lançamento de notas fiscais fictícias e habilitação de fornecedores inexistentes, o que gerava automaticamente a liberação de pagamentos a terceiros.
O juiz concluiu que houve fraude contábil e sistêmica articulada para desviar recursos da empresa. Na sentença, ficou determinada:
- A condenação de Janete Ingride Cunert e Agostinho Alceu Foscarini, identificado como corresponsável pelos desvios, a indenizar os prejuízos à empresa no valor de R$ 5.339.191,60.
- A condenação de Pieterson Borges Cunert, familiar da ex-diretora e beneficiário dos valores, à perda de dois imóveis, um apartamento e uma garagem, comprados com dinheiro da fraude.
- A condenação de Geneci Rosinha Dal Bello e Cia Ltda, a restituir o dinheiro recebido de forma indevida, no valor de R$ 256.477,78. Apesar da condenação, a Justiça entendeu que não houve prova de participação da empresa no esquema.
O que dizem os envolvidos
No processo, a defesa da ex-diretora financeira negou a prática de fraude e de desvios e defendeu que parte das operações eram benefícios relacionados ao exercício de suas funções. À Justiça, disse ainda que pagamentos não contabilizados seriam conhecidos pela administração e que determinadas transferências teriam autorização superior.
Os demais envolvidos também negaram irregularidades, alegando terem agido de boa-fé ao receber valores ou ao permitir o uso de contas bancárias.
A reportagem buscou os advogados Júlio Francisco Caetano Ramos e José Alexandre dos Santos, que representam os envolvidos no caso, mas eles optaram por não se manifestar. O espaço segue aberto. A empresa Grazziotin SA também foi contatada. Eis o posicionamento na íntegra:
"Até o momento, não temos conhecimento de qualquer informação que mencione o nome do Grupo Grazziotin. Esclarecemos, ainda, que eventuais posicionamentos ou comunicados oficiais são divulgados exclusivamente por meio de nossos canais institucionais. Permanecemos à disposição".
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