
O Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) dos Correios em Erechim, no norte do Estado, enfrenta falta de limpeza desde junho de 2024, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios. A unidade, que conta com 24 colaboradores, não tem serviços terceirizados e também deixou de receber materiais de higiene.
Imagens registradas no local mostram ambientes com poeira, pisos sujos e banheiros sem condições de uso (veja abaixo). A crise ocorre em meio a dificuldades financeiras da estatal, que acumula resultados negativos há 13 trimestres consecutivos, desde o fim de 2022.
Um funcionário da unidade, que preferiu não se identificar, relatou à reportagem a rotina enfrentada pelos trabalhadores:
— No ambiente de trabalho está difícil de trabalhar de acordo, por não ter uma faxineira que faça os serviços. Antigamente tinha duas, depois passou para uma. Hoje, não há ninguém que faça a limpeza. Então, periodicamente são pegos alguns funcionários para fazer a limpeza interna, recolher lixo do banheiro, passar uma água no chão, no banheiro.
Além do revezamento entre os próprios servidores para manter condições mínimas, a unidade não recebe materiais básicos, reflexo do deficit dos Correios. Entre os fatores apontados para a crise estão a taxação de compras em sites estrangeiros, o aumento da concorrência no setor de entregas e o pagamento de acordos judiciais.
— Parou de vir material de limpeza. Material de higiene, como papel toalha, o gestor fez uma vaquinha para pegar um pouco de cada funcionário, porque a empresa não tinha mandado nem isso — disse o mesmo servidor.
De acordo com o sindicato, a falta de limpeza ocorre por ausência de pagamento à empresa terceirizada responsável pelo serviço. O diretor da entidade representativa, Gelson Luis Zanello, disse que a Vigilância Sanitária deverá ser acionada.
— Nós do sindicato estamos reunidos para que a gente consiga fazer com que a Vigilância Sanitária chegue até lá para realmente ver o que está acontecendo com nosso ambiente de trabalho. É insalubre, todo o CDD está sem limpeza, não temos faxina e nem terceirizados, como sempre foi, para que faça essa limpeza diariamente — pontuou.
Zanello também comparou a situação do Centro de Distribuição com a agência dos Correios na cidade do norte gaúcho:
— Como pode, Correios é um só e nós do CDD não temos a limpeza. A agência, sim, tem uma terceirizada que vai lá todos os dias pela parte da manhã para fazer a limpeza, e nós da distribuição estamos sem esse trabalho.
O sindicato encaminhou um ofício aos Correios em outubro deste ano solicitando esclarecimentos, mas não obteve resposta. A reportagem também procurou a estatal, que informou que está executando um plano de ação para reestruturar suas operações. Leia abaixo a nota na íntegra:
"O pagamento aos prestadores de serviço de manutenção e limpeza está sendo realizado de forma gradual. Os Correios elaboraram um plano de reestruturação para fortalecer a sustentabilidade econômico-financeira da empresa e aumentar sua eficiência. Por esse motivo, neste contexto emergencial, a estatal tem coordenado com responsabilidade e compromisso as obrigações legais e financeiras, os ciclos de pagamentos, eventuais parcelamentos e o relacionamento com os fornecedores. A situação está em processo de regularização para que os repasses sejam gradualmente normalizados. A estatal continua conectando o país — inclusive em locais onde a iniciativa privada não atua — e segue comprometida na prestação de serviços essenciais à população brasileira."
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