
Representantes do norte gaúcho estão em Belém, no Pará, para participar da COP30, a 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
O evento começou na última segunda-feira (10) e segue até 21 de novembro reunindo lideranças globais para debater o futuro do planeta.
GZH Passo Fundo conversou com alguns dos pesquisadores, empresas de tecnologia e políticos que viajaram mais de 3,5 mil quilômetros para acompanhar de perto a discussão mundial.
Pesquisa e passos importantes para refugiados climáticos

Uma das pesquisadoras presentes no evento internacional é Patrícia Noschang, coordenadora do Balcão Migrante e Refugiado da Universidade de Passo Fundo (UPF).
Na COP30, Patrícia esteve no pavilhão governamental acompanhando as negociações de alto nível dos Estados. Ela também organizou painel sobre mudanças climáticas e fez a entrega de um documento sobre proteção a pessoas deslocadas por questões ambientais e climáticas.
Este último foi entregue formalmente na COP30, e reuniu 403 assinaturas de 40 países.
— São ações importantes que marcam o nome da UPF na pauta das mudanças climáticas e os efeitos diretos e indiretos na mobilidade humana — resume Patrícia.
Biocombustível local é destaque

O biocombustível produzido em Passo Fundo também é um dos destaques na COP30. O Bevant, da Be8, chegou em Belém abastecendo dois ônibus e dois caminhões que partiram de norte gaúcho ainda em outubro.
Na última quarta-feira (12), o governo do Estado assinou um contrato para implantação do primeiro posto de abastecimento de hidrogênio verde do Rio Grande do Sul. No pavilhão da companhia na COP, o presidente da empresa, Erasmo Battistella, recebeu a licença ambiental que autoriza a produção do novo combustível.
O biocombustível produzido em Passo Fundo destaca o papel do Brasil no processo de descarbonização através do investimento em matrizes energéticas mais sustentáveis, contribuindo para que o país avance rumo às metas climáticas.
Defesa dos atingidos nas barragens

O advogado de Passo Fundo Leandro Scalabrin participa da COP30 representando o Movimento dos Atingidos por Barragens. De 10 a 12 de novembro, esteve junto de líderes globais no 4º Encontro Internacional de Atingidos por Barragens e Crise Climática, em Belém.
— Discutimos as causas das mudanças climáticas e como combatê-las para que não se repitam. Mas, caso se repitam, precisamos estruturar melhores políticas públicas no nosso Estado, para que os atingidos tenham acesso a seus direitos, o que não aconteceu em sua plenitude no RS ou em Passo Fundo durante a enchente — disse.
Nos próximos dias, Leandro estará na Cúpula dos Povos e em eventos do Conselho Nacional dos Direitos Humanos.
Universidades como protagonistas do futuro

Luciana Londero Brandli, sócia-fundadora da Greena Soluções e professora da UPF, esteve em Belém em um evento organizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), para discutir como as universidades podem ser protagonistas dos compromissos firmados na COP30.
O encontro discutiu o papel das universidade nas mudanças climáticas, mostrando a importância da pesquisa e da ciência, do suporte às comunidades a partir da extensão, e também da melhoria da sustentabilidade nos campus.
— Nossas universidades devem formar profissionais que possam lidar com esse momento do aquecimento global e das mudanças climáticas. A pesquisa pode descobrir estratégias para mitigações e desenvolvimentos de tecnologias, e também, através da extensão, fazer a diferença nas comunidades por meio de capacitações — resumiu Luciana.
Transição justa para os direitos humanos

Já na pauta dos direitos humanos, Paulo César Carbonari integra a COP30 como membro da coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos e associado da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo.
Em Belém, participa da pauta da proteção dos direitos humanos na luta pela transição justa, para garantir que o documento sobre o assunto, em construção na COP, esteja compromissado com estes direitos. A programação inclui eventos paralelos, dialogando com representantes de Estados:
— Acreditamos que haverá avanços nesta COP, criando canais concretos para a transição justa. Nosso trabalho é fazer o convencimento, sugerir aos negociadores e insistir sobre a importância desses temas. Não há mudanças climáticas sem direitos humanos.
Poder público de olho nas discussões

A vereadora de Passo Fundo, Marina Bernardes (PT), também participa da COP30 ao abordar a ideia de cidades sustentáveis. Segundo ela, a presença em Belém tem como objetivo conectar Passo Fundo ao debate de defesa do meio ambiente.
Durante a visita, Marina destacou o espaço da Cúpula dos Povos, evento que reúne movimentos sociais para "pressionar" as negociações que acontecem na COP, incluindo uma agenda socioambiental nas negociações oficiais.
— Os povos defendem que todas as singularidades do Brasil sejam consideradas nas decisões. Acredito que participar do evento significa estar conectada a um debate fundamental que trata do presente e do futuro do planeta. Todos os painéis agregam questões importantes, mas o meu foco está em me inserir nos que discutem o papel das cidades nesse contexto, porque é na cidade onde a vida acontece — resume Marina.
Agricultura de baixo carbono no norte do Brasil

A Embrapa de Passo Fundo viajou até Belém para testar cultivos gaúchos nas regiões tropicais e subtropicais. O objetivo é produzir culturas de baixo carbono para reduzir emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global.
Estão sendo implantados projetos-piloto para mensuração dos indicadores de redução dos gases em diferentes cadeias produtivas, como indústria moageira, de bioenergia e de carnes.
— Montamos um espaço com culturas que não são tradicionais aqui nesta região, como trigo, soja e sorgo. Durante toda a COP recebemos delegações e embaixadas estrangeiras para mostrar tudo que a agricultura brasileira tem capacidade de fazer — resume Joseani Antunes, representante da Embrapa.
Tecnologia de Erechim na COP30

Uma tecnologia de moda circular desenvolvida pela Libértecee, de Erechim, foi apresentada na COP30. O projeto foca na descarbonização a partir de soluções sustentáveis para a indústria da moda, transformando resíduos têxteis em novas matérias-primas e produtos. Atualmente, eles estão incubados no centro tecnológico mantido pela prefeitura de Erechim.
A tecnologia foi apresentada na segunda-feira (10), no espaço do clima Green Zone. Para o diretor da empresa, João Carlos de Andradas, a oportunidade abre espaço para novos contatos e abre mercado para a tecnologia:
— Para nós essa participação é importante para a abertura de mercado. Trata-se de uma tecnologia nova, então estamos começando e assim ganhamos uma projeção nacional. Fizemos bons contatos com potenciais clientes e investidores.
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