
Familiares, amigos e fãs se despedem de João Chagas Leite na tarde desta terça-feira (11), em Erechim. O músico morreu aos 80 anos, em decorrência das complicações de um câncer colorretal.
O artista, um dos principais nomes da música nativista gaúcha, vivia na cidade do norte gaúcho desde que iniciou o tratamento contra a doença. Dono de repertório com mais de 300 composições, é autor de grandes sucessos, como Desassossegos, Penas, Ave Sonora e Por Quem Cantam os Cardeais.
Sua partida deixa um legado de sucessos e perseverança, destaca o aposentado Claudionei da Silveira, fã e amigo que veio de Santa Maria para prestar uma última homenagem.
— O nativismo está de luto, porque perdeu uma das suas lendas. Ele já entrou para a história da cultura gaúcha e rio-grandense — afirmou.
Amigo de longa data, o músico Oswaldir destacou a grandeza do artista, que se consolidou no cenário como um dos grandes nomes da composição nativista.
— O João deixa um legado maravilhoso pras gerações que querem conhecer música boa. A música gaúcha sempre tá por aí, e o João Chagas Leite é um dos responsáveis por ela estar sempre em alta — destacou.
Na vida pessoal, Oswaldir relembrou a relação íntima construída desde a década de 1980, quando ambos participavam do Recanto Nativo em Passo Fundo:
— A gente jogava bola junto, saía pra almoçar junto, jantar fora às vezes. Então, realmente, eu posso dizer que a gente foi grandes amigos. Infelizmente, a vida chega (ao fim).
Música como remédio

Mesmo durante o período difícil da doença, a música seguiu como grande companheira do uruguaianense. Em maio deste ano, com uma melhora no quadro, ele planejava a volta aos palcos. No último mês de agosto, João Chagas Leite chegou a lançar uma nova música em parceria com Evandro Zamberlan.
— Ele esteve aqui em Santa Maria no mês de maio, a gente jantou junto. Depois, em agosto, lançamos a música Infinito, que é uma parceria nossa, que ele fez questão que eu cantasse junto com ele — recordou Zamberlan.
Nos últimos dias, contudo, João Chagas Leite teve complicações do câncer e não resistiu. Ele estava internado no Hospital de Caridade de Erechim (HCE).
O músico encontrou apoio em Erechim para enfrentar o câncer colorretal. Um médico amigo e fã se ofereceu para realizar o tratamento de saúde e foi na cidade de 105 mil habitantes que ele passou por cirurgia.
— É complicado quando é câncer. Ele teve essa infelicidade, mas admirei muito a família daqui, da Berenice Didoné e do Dr. Spada. Eles deram uma assistência muito grande que, olha, poucos fariam — agradeceu Oswaldir durante o velório.
Em entrevista para GZH Passo Fundo no mês de maio, João Chagas Leite afirmava que, apesar da recuperação difícil, a fé e o carinho do público foram combustíveis.
— Subir num palco, levar aquela música esperada pelas pessoas que rezaram muito, vibraram muito comigo, é emocionante — disse à época.
Hoje, emocionado, o amigo Kiko Lemos resumiu a essência do músico João Chagas Leite:
— Acho que o João nos deixa isso: a humildade e ser amigo de todo mundo. O sentimento que transcende a música. O João saiu de Uruguaiana, passou por Santa Maria e foi para Erechim; seu sucesso, contudo, extrapolou as fronteiras do Rio Grande do Sul. Agora, é uma estrela do céu.
O velório acontece na Funerária Passuello de Erechim. O sepultamento está marcado para 9h de quarta-feira (12), no Cemitério Pio XII.
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