
Marcado para as 9h desta quinta-feira (13), o julgamento dos irmãos Fernanda e Claudiomir Rizzotto, acusados de serem os mandantes do triplo homicídio ocorrido no bairro Cohab, em maio de 2020, começou depois das 11h no Fórum de Passo Fundo, no norte do RS. Familiares das vítimas aguardaram pelo menos duas horas até a entrada no plenário para acompanhar o júri.
O atraso no início do julgamento ocorreu porque uma jurada se declarou impedida de participar do processo. Com isso, um novo sorteio para formação do júri precisou ser feito. Do lado de fora, parentes e amigos das vítimas, Diênifer Padia, Alessandro dos Santos e Ketlin Padia dos Santos, aguardavam o início do que classificaram como desfecho para o caso.
— A gente vai esperar o tempo que for. O que queremos é justiça e esse é o julgamento mais importante do caso — disse Lúcia Rodrigues de Oliveira, familiar de Diênifer.
No processo, os irmãos Fernanda e Claudiomir Rizzotto são apontados como mandantes do crime que resultou nas mortes de Diênifer, 26 anos, o cunhado Alessandro dos Santos, 35, e a filha dele, Kétlyn Pádia dos Santos, 15. O caso aconteceu na noite de 19 de maio de 2020.
— Eu perdi minha irmã, minha filha, meu marido e agora minha mãe. Eu quero justiça, porque minha família toda foi destruída — disse, abalada, Ana Paula Pádia.
A mãe de Ana Paula e de Diênifer, e avó de Kétlyn, Catarina Margarida da Rosa, morreu no último domingo (9).

Acusação
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), Fernanda era casada com Eleandro Rosso, que teve um relacionamento extraconjugal com Diênifer. A investigação aponta que Fernanda e o irmão Claudiomir planejaram a morte de Diênifer ao contratar Luciano Costa, que teria contratado os executores.
— O MP não pode esperar nada a não ser a condenação. Réus cuja autoria está mais do que comprovada ao longo do processo, inclusive com confissões de uma das autoras. O MP confia no tribunal do júri de Passo Fundo e essa barbárie deve ter a resposta a altura que necessita — destacou o promotor de Justiça Leonardo Giardin de Souza.
Mais de cinco anos após o crime, Eleandro Rosso e Luciano Costa já foram condenados pelas três mortes. No entanto, Fernanda e Claudiomir Rizotto vão ser julgados pela primeira vez: ficaram foragidos por mais de quatro anos e foram presos apenas no final de 2024.
A primeira e única testemunha da acusação é um policial civil que trabalhou no caso. A segunda testemunha seria Catarina Margarida da Rosa, mãe de Diênifer, que morreu no domingo (9).
Defesas acreditam em julgamento justo
Antes do júri começar, a advogada de defesa de Fernanda, Andreia Tavares, já adiantou à reportagem que a ré deve apresentar sua confissão ao crime:
— Tudo se desenrolou a partir da Fernanda e hoje ela vai trazer a sua história, a verdade do processo, de forma transparente. Mas a gente sabe que em um júri ninguém ganha — disse.
O advogado de Claudiomir, Edmundo Brescancin Vieira, aposta nas provas e nas informações dos autos para mostrar aos jurados o que aconteceu de fato.
— Queremos fazer com que os jurados entendam o contexto do fato. Nós trabalhamos pra chegar na verdade e nosso compromisso é esse, oferecer o maior acervo de informações para o julgamento do Claudiomir — pontuou.
Relembre o caso
Na noite de 19 de maio de 2020, três pessoas da mesma família foram encontradas mortas dentro de casa, na Rua Ernesto Ferron, bairro Cohab, em Passo Fundo. As vítimas eram Alessandro dos Santos, 35, sua filha Kétlyn Padia dos Santos, 15, e a tia da adolescente, Diênifer Padia, 26.
O alvo do crime era Diênifer, enquanto as outras duas vítimas foram assassinadas como queima de arquivo. Na hora do crime, havia seis pessoas na casa. As três que foram mortas e mais três crianças, filhas de Diênifer.
Na casa dos fundos, estava a esposa de Alessandro. Uma das crianças, de seis anos, foi quem saiu do local, avisou os vizinhos e pediu ajuda.
Quando a polícia chegou à casa, encontrou as três vítimas já sem vida. Elas foram asfixiadas com o uso de enforca-gatos. Os três foram sepultados em 20 de maio daquele ano.
Os autores seriam dois homens que estiveram na casa anteriormente, com o pretexto de ver um móvel que estava à venda. Eles nunca foram identificados.
Em julho daquele ano, a polícia indiciou cinco pessoas. Destas, três foram julgadas e duas condenadas:
- Eleandro Roso, marido de Fernanda, foi julgado em 2022 e condenado a 69 anos e seis meses de reclusão por envolvimento nas mortes.
- Luciano Costa dos Santos passou por dois julgamentos. O primeiro, realizado em 2023, foi anulado por contradições no resultado. O segundo júri aconteceu em setembro deste ano e condenou Costinha a 57 anos de prisão.
- Monalisa Kich, companheira de Luciano à época do crime, também foi julgada em 2023 por envolvimento no crime, mas absolvida.
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