
Uma iniciativa desenvolvida por uma cooperativa de Água Santa, município com cerca de 4 mil habitantes do norte do RS, será apresentada nesta semana em um dos eventos mais importantes do cenário internacional: a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece em Belém, no Pará.
A Cooperativa Agrícola de Água Santa (Coasa) é uma das sete cooperativas gaúchas escolhidas para apresentar um projeto no evento da ONU. A iniciativa, que será apresentada na quarta-feira (12), mostra como práticas simples e bem aplicadas podem transformar a relação da agricultura com o meio ambiente.
O projeto da Coasa incentiva o manejo contínuo do solo com cobertura vegetal durante todo o ano, inclusive nos períodos entre as safras, conhecidos como “vazio outonal”.
— A gente faz rotação com milho, trigo, aveia, ervilha, nabo, e vai mudando conforme o solo está pedindo. Consequentemente, o custo vai diminuindo — explica o agricultor Paulo Cezar Caumo, de Santa Cecília do Sul, que aplica o método em suas lavouras.
A cobertura conserva a saúde do solo, reduz a erosão, melhora a infiltração da água e contribui para o sequestro de carbono. Aproveitando os recursos naturais, a fertilidade aumenta.
O uso de plantas de serviço faz com que a terra fique sempre trabalhando, com uma estruturação química, física e biológica do solo através da palha, que protege a lavoura o ano inteiro.

— A maior parte da fertilidade do solo está nos primeiros 10 centímetros, afetados quando a erosão acontece. Se tu perdeu aquele solo, tá perdendo quanto dinheiro? Então a ideia é que o produtor faça o básico bem feito, o que não é tão difícil — destaca o engenheiro agrônomo da cooperativa, Ronaldo Scariot.
A palha evita o escorrimento da superfície, e a raiz da palha vai fazer com que a água penetre no solo
— O maior compactador de solo hoje é a chuva. Em solos que não têm nenhuma planta de serviço, o peso da gota de chuva no solo é compactador — esclarece o agrônomo.
O engenheiro ainda pontua que a alternativa de manter o solo sempre coberto é relativamente simples de executar: basta o produtor, com amparo técnico, deixar a área plantada ativa em todos os períodos do ano. A cobertura também ajuda o agricultor a enfrentar os efeitos do clima com mais equilíbrio.
— Se a gente pensar só em produtos químicos, logo teremos que parar. Então, o futuro é o biológico, os bioinsumos e plantas de cobertura. Isso é o essencial pra uma agricultura conseguir prosperar também — afirma o agricultor que já utiliza a técnica.
Com o reconhecimento internacional na COP30, os agricultores da Região Norte querem mostrar que o futuro da produção rural passa pelo cuidado com a terra — e que soluções locais podem ter impacto global.

Conferência do Clima
A COP30 começou nesta segunda-feira (10) e segue até o dia 21. Pela primeira vez, o evento mundial ocorre no coração da Amazônia, bioma essencial para a regulação do clima do planeta.
Cerca de 50 mil pessoas participam do encontro, que discute temas como transição energética e seu financiamento, e adaptação às mudanças climáticas. Durante a COP30, os países participantes terão de divulgar o quanto planejam reduzir suas emissões de carbono até 2035 e as políticas que os levarão até lá.
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