
A redução no número de motoristas habilitados nas categorias C e D da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem causado dificuldades para empresas de transporte de cargas e passageiros em Passo Fundo, no norte do Estado. A tendência é nacional: em 10 anos, o Brasil perdeu 5,5 milhões de condutores aptos a esse tipo de atividade.
Na cidade, conforme dados do DetranRS, de janeiro a agosto deste ano, foram registradas 288 mudanças ou adições para as categorias C e D neste ano. No mesmo período de 2024, o número foi de 272. Apesar do leve aumento, a percepção é de déficit de profissionais no setor.
Responsável pelo setor de formação profissional do Serviço Social do Transporte (Sest) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) em Passo Fundo, Letícia Alves Tarra avalia que já existe uma lacuna de profissionais habilitados:
— Há uma defasagem nesse setor. O principal motivo que vemos é o custo da habilitação e a falta de tempo para se dedicar às áreas de transporte de carga ou pessoas.
Hoje o investimento para obter a categoria C gira em torno de R$ 3,1 mil. Para conquistá-la, é necessário ter pelo menos um ano de habilitação na categoria B. No caso da categoria D, são dois anos na “B” e idade mínima de 21 anos. Já a categoria "E" é adicionada por quem já tem “C” ou “D” há um ano.
Curso dá habilitação de graça

Na tentativa de ampliar a oferta de motoristas qualificados, o Sest/Senat criou um programa que financia integralmente a mudança de categoria para C, D ou E. Empresas interessadas em contratar esses profissionais se inscrevem via edital e definem o número de vagas.
Além da troca de categoria, o programa oferece cursos extras, como transporte de cargas perigosas, atendimento ao público, condução segura e economia de combustível. Neste ano, 54 motoristas já passaram pelo projeto em Passo Fundo e outros 50 iniciaram em setembro.
— Temos uma procura grande de pessoas que não estavam no setor, mas tinham paixão e vontade de dirigir, e não ingressaram por falta de condições. Nosso objetivo é aumentar a oferta de motoristas qualificados e gerar emprego e renda — explica Letícia.
O operador de produção Glauber Vargas Soares, 34 anos, está entre os beneficiados. Ele deve adicionar a categoria E ainda neste ano:
— Tive a oportunidade de trocar a categoria e incluir alguns cursos de formação que sempre quis fazer, mas não tive condições. Vai me ajudar muito a ficar preparado e qualificado para assumir uma vaga no futuro.
Quem também está passando pela mudança é Sidnei Peres, 42, motorista há 12 anos:
— Estou realizando um sonho. Desejo essa categoria há anos e agora tive a oportunidade. Vai abrir um grande leque no mercado de trabalho e de opções profissionais para mim.


