
O preço do café quase dobrou nos últimos três anos em Passo Fundo, no norte do Estado. A elevação de 82% do valor nas prateleiras de supermercados foi gradual, mas é sentida pelos amantes da bebida, que reduziram o consumo.
A tendência é acompanhada de perto pelo boletim da cesta básica elaborado pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Em janeiro de 2023, o preço médio do café – calculado entre moído e solúvel – era de R$ 17,92. No último mês, ultrapassou os R$ 32.
A alta é fixada no cenário nacional. Problemas climáticos e outros fatores globais e locais têm refletido no valor, analisa o economista e professor da UPF, Julcemar Zilli.
— O Brasil é um dos grandes produtores globais e ele tem enfrentado secas extremas e geadas que acabam prejudicando a lavoura de café. Isso ocorreu em anos consecutivos, o que colaborou também para que o volume de produto estocado diminuísse.
Até abril de 2024, o valor ainda não havia registrado grandes elevações, permanecendo na faixa de R$ 17. A partir de maio do mesmo ano, o preço passou a registrar pequenas elevações mês a mês.
O grande aumento foi registrado, no entanto, neste ano: de janeiro de 2025 até setembro, o preço médio passou de R$ 23,48 para R$ 32,69 — elevação de quase 40% em um período de menos de um ano.
Menor estoque, maior preço e redução no consumo
A redução no estoque global do café, provocada também pela queda na safra de países como Vietnã e a Indonésia — dois grandes produtores, assim como o Brasil — foi também um dos motivos para o aumento do valor.
Segundo o economista, em 2025 o estoque global está entre os menores já registrados nos últimos tempos.
— Como o estoque diminuiu e, associado a isso, temos a intensificação no consumo mundial, isso fez com que a oferta do produto tivesse uma redução, que já é a menor dos últimos anos. — explica Zilli.
Um reflexo direto da elevação de preços é que as pessoas estão decidindo tomar menos café, como aponta pesquisa nacional elaborada pelo Instituto Axxus. Divulgada em setembro, mostra que 24% dos consumidores brasileiros reduziram o consumo do café neste ano.
Essa é a maior queda desde o início do levantamento, realizado desde 2019. A motivação, segundo as 4,2 mil pessoas de todo o Brasil ouvidas no estudo, é que, com a disparada do preço, tem se tornado cada vez mais inviável manter o consumo regular do produto.
A pesquisa também mostrou que a preferência mudou: antes, os consumidores escolhiam suas marcas preferidas e, dentro delas, o de menor valor. Hoje, no entanto, o estudo aponta que 39% estão optando pela marca mais barata disponível.
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