
A destinação incorreta do óleo de cozinha usado ainda é comum, com menos de 10% do material sendo reaproveitado. Mas em Passo Fundo, no norte do Estado, projetos têm incentivado a coleta do resíduo para mudar essa realidade.
Há três anos, o engenheiro químico Matheus Menezes começou a investir no recolhimento e tratamento do óleo usado. Hoje, a empresa PreviÓleo atua em 45 cidades da Região Norte e mantém mais de 300 pontos de coleta.
— Notamos que no mercado existia uma demanda muito grande da indústria de energia renovável pelo óleo de cozinha usado, que é utilizado na composição do biocombustível. Porém, não conseguem coletar essa matéria-prima, fazer a logística de trazer para o processo. Aí surgiu a oportunidade — relembra.
São cerca de 2,5 toneladas recolhidas por semana. Restaurantes, entidades e escolas participam da campanha e recebem pelo descarte sustentável: são R$ 2 por quilo recolhido, além da troca por sabão ecológico ou por um novo litro de óleo de cozinha a cada quatro quilos recolhidos.
Sustentabilidade
A campanha já chegou a instituições de ensino e clubes sociais. A Escola Municipal João Zaffari de Passo Fundo recolhe o óleo com a ajuda dos alunos.
— Se nós conseguirmos atingir as crianças, a gente consegue atingir um adulto. Nosso intuito é conscientizar e sensibilizar cada família para não colocar o óleo em qualquer local — afirma a diretora Eliane de Lima.
Grande parte do material é destinada à indústria de biocombustível Be8. A demanda, no entanto, é maior que a oferta e, por isso, a usina recebe cargas de outros estados para suprir a produção.
Desde que a indústria iniciou parcerias com empresas e cooperativas, a destinação correta e reaproveitamento saltou de 600 para 10 mil quilos de óleo por mês, vindos das empresas que fazem o recolhimento de porta em porta.
— É um crescimento que comemoramos, mas sabemos que pode aumentar muito mais. Ainda temos casos e relatos de pessoas que enterram o óleo ou colocam no ralo, e isso causa muitos problemas — pontua o trader de originação da Be8, Cesar Soares.
Impacto ambiental
Um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. O óleo forma uma película sobre rios e lagos, impedindo a entrada de luz e oxigênio, levando à morte de espécies aquáticas.
No solo, o óleo impermeabiliza o terreno, dificultando a infiltração da água e agravando enchentes. Já o acúmulo nas redes de esgoto causa entupimentos e aumenta os custos de manutenção urbana.
A decomposição do óleo em aterros, por sua vez, libera o gás metano, contribuindo para o aquecimento global.
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