
Estabelecida em R$ 9,15 na última sexta-feira (29), a nova tarifa técnica do transporte público de Passo Fundo gerou questionamentos entre a população e os usuários do serviço. Afinal, os passageiros vão passar a pagar R$ 4,20 a mais no deslocamento urbano? A resposta é não.
A tarifa técnica é o cálculo referente às despesas operacionais da empresa de ônibus — nesse caso, o valor vai valer para a empresa vencedora do edital de licitação, ao fim do processo da concorrência pública.
Isso significa que para cobrir gastos com manutenção, combustível, funcionários, entre outros, o valor da passagem deveria ser de R$ 9,15. O cálculo é feito por uma empresa contratada pela prefeitura para elaborar o projeto básico do transporte coletivo.
No documento, a própria empresa reconhece o preço alto: "É um valor elevado de tarifa, se comparado com o praticado em outros municípios do Estado, para um serviço essencial que prejudicaria em muito os seus usuários".
Na outra ponta, existe a tarifa pública — aquela cobrada dos usuários na prática, que hoje custa R$ 4,95. Um novo reajuste ainda não foi definido pela prefeitura.
A lacuna entre a tarifa técnica e a tarifa pública é custeada pelo subsídio. A verba pública é repassada mensalmente à empresa Coleurb para garantir a passagem mais barata aos usuários ao mesmo tempo que cobre as despesas da empresa.
O subsídio foi aprovado em 2023 e começou a ser aplicado pela prefeitura em 2024, em resposta a uma demanda da empresa do transporte público de Passo Fundo, que alegou redução no número de passageiros desde a pandemia e, por isso, dificuldade para arcar com o preço da operação da frota.
Hoje, o valor do subsídio depende das finanças internas e das fontes de recursos público, podendo variar. O projeto de lei que regulamenta o recurso, porém, prevê um repasse de cerca de R$ 1,5 milhão por mês.
Um cálculo entre o valor do subsídio, o número de passageiros pagantes e o desconto a ser aplicado na tarifa técnica permite estimar que o valor da tarifa pública deverá girar em torno de R$ 7.
Caso a prefeitura determine um valor da passagem inferior, o subsídio à empresa que presta o serviço de transporte público pode aumentar. Se o preço cobrado pelas viagens de ônibus permanecer sem reajuste, em R$ 4,95, o subsídio público precisaria subir a R$ 2,9 milhões mensais.
Essa decisão será tomada pela prefeitura, a partir da licitação do transporte público, prevista para acontecer em 2026.

