
A tetraplegia não foi suficiente para afastar Joacir Felipe Naumann, 38 anos, do sonho de dançar em um Centro de Tradição Gaúcha (CTG). Com a cadeira de rodas, ele se apresenta ao lado da esposa, Daiane Carmine Berwanger Naumann, 35 anos, em Cândido Godói, município de 6,2 mil habitantes do noroeste gaúcho.
Na invernada artística veterana do CTG Sentinela da Coxilha, ele acompanha o ritmo do grupo nas coreografias de Quatro passi e Chimarrita, canções típicas do folclore gaúcho (assista abaixo).
Naumann se locomove com a ajuda da cadeira de rodas há 15 anos, desde que um acidente de moto mudou a vida do casal. À época, Joacir e Daiane foram atingidos por um carro e, com o impacto da colisão, ele sofreu uma lesão medular e ficou com tetraplegia incompleta, enquanto Daiane teve diversas fraturas.
De lá para cá, muita coisa mudou na rotina dos dois — exceto o amor que compartilham pela cultura gaúcha. O convite para entrar na invernada artística veio há dois anos, a partir do professor Leandro Fernandes, que identificou o vínculo da família com a tradição gaúcha: a filha do casal frequenta o CTG desde 2021.
— Quando recebi o convite, confesso que fiquei receoso, não sabia como seria possível, mas entendi que a verdadeira inclusão começa dentro de nós. Hoje, cada apresentação é a prova de que não existem limites. Mesmo sem executar todos os movimentos, me sinto parte essencial do grupo. Isso não tem preço — disse Joacir.
Na Semana Farroupilha, o casal participou em duas apresentações: no dia 13 e na última sexta-feira (19). E ainda em 2025, os parceiros de dança e de vida vão lançar um livro contando a história de superação.
— Depois do acidente, pensei que nunca iria realizar. Hoje, esse é o nosso momento. É gratificante ver que, apesar das diferenças, somos iguais — resume Daiane.



