
Moradores de Palmeira das Missões, no norte do RS, estão sem transporte público urbano há mais de um mês. A empresa responsável pela concessão suspendeu as atividades no início de julho e condiciona o retorno do serviço à aprovação de um reajuste na tarifa de ônibus.
Segundo o empresário responsável pela operação, a frota foi reduzida de oito para duas linhas após queda na demanda durante a pandemia. A empresa solicitou reajuste da tarifa de R$ 4 para R$ 5,50 e enviou comunicado à prefeitura informando a paralisação do serviço até que o aumento seja autorizado.
Enquanto o impasse não é resolvido, a estudante Katiane Silveira da Rosa relata dificuldades para ir à escola.
— Às vezes vou com uma amiga minha que mora aqui do lado, mas às vezes a minha mãe me leva quando ela não pode. Fica complicado. O ônibus faz falta, tanto pros estudantes quanto pras pessoas que trabalham — disse.
O agente penitenciário Lúcio Cardozo também enfrenta obstáculos para garantir o deslocamento da filha, que estuda no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que fica na cidade:
— Ela ia com o transporte público, pegava ali perto da prefeitura. Hoje a gente tem que levar e buscar. Muitas vezes ela tem aula de manhã e à tarde. Quando não posso, aciono aplicativo. O gasto é maior.
Subsídio

Além do pedido de reajuste da tarifa, a empresa apresentou ao Executivo uma planilha de custos e indicou a necessidade de um subsídio municipal para manter a operação do transporte coletivo, mesmo com o aumento no preço da passagem.
— As passagens propostas pela empresa estão em torno de R$ 9,18. Com o subsídio de R$ 50 mil autorizado pela Câmara, a tarifa para o passageiro ficará entre R$ 5 e R$ 5,50. A diferença será custeada pelo município — explica o vice-prefeito Regis de Lima Lorenzoni.
A prefeitura pretende alterar a legislação para permitir o reajuste por decreto. Segundo Lorenzoni, o novo projeto de lei será enviado para a Câmara de Vereadores.
Até que a situação seja resolvida, moradores buscam alternativas. O pedreiro José Cláudio Arise da Luz passou a ir ao trabalho de bicicleta ou a pé.
— Normalmente ia de ônibus de manhã cedo e voltava ao meio-dia. Agora não dá mais — finaliza.





