
O movimento de reduzir o consumo de carne tem ganhado cada vez mais adeptos no país: um levantamento recente do Datafolha revelou que 74% da população aceitaria abrir mão da carne em nome da saúde. Em Passo Fundo, norte do Estado, este hábito ganha força nas cozinhas e nos negócios.
O primeiro restaurante e café exclusivamente vegetariano da cidade foi aberto há dois anos. A aposta é em um cardápio também livre de glúten, lactose e alimentos refinados.
O Be Munn, comandado pelas sócias Sandra Santos e Clarice Santos, acompanha de perto a mudança no perfil dos consumidores, o que possibilitou inclusive que elas ampliassem os produtos e horários de funcionamento.
— No primeiro momento, nossos clientes eram pessoas que vinham para fortalecer a causa, muitos veganos e celíacos, que queriam nos ajudar a manter o negócio. Hoje, nosso principal público são pessoas que comem carne, mas que vêm aqui para reduzir esse consumo, explorar sabores e ter uma alimentação mais saudável. A nossa culinária traz isto — aponta Clarice.
Ao meio-dia, o restaurante serve um bufê de comida caseira, colorido por uma variedade de legumes e vegetais preparados de forma criativa. Além dos tradicionais arroz, feijão e saladas, há massas, risotos e hambúrgueres. Tudo é muito bem pensado e temperado pela chef Sandra:
— Trazemos uma comida mais saborosa, com uma pegada moderna, com fontes de proteína sem ser a animal. Explorando grãos proteicos: quinoa, lentilha, tofu e castanhas. Trazemos texturas e sabores que fortalecem quem está querendo reduzir o consumo de carne. Todos que vêm aqui dizem que não sentem falta da carne ao servir nosso bufê.
Quem tenta reduzir o consumo
A popularização de boas opções livres de carne faz com que surjam mais adeptos à causa. No caso do dentista Eder Cunha, o fato de ter um restaurante vegetariano próximo ao trabalho facilitou a alimentação mais saudável.
— Eu não tenho nenhuma restrição alimentar, mas o sabor e qualidade desses produtos fazem eu vir de duas a três vezes na semana. Sinto até que fico mais leve depois, para seguir trabalhando à tarde — comenta.
O mesmo acontece com a farmacêutica Natasha Amorim. Ela conta que buscou primeiro sozinha, depois trouxe o marido para "abrir a mente" e buscar um bufê mais natural:
— Passamos a experimentar há pouco e gostamos. Até levo uma marmitinha de feijão vegano para os meus filhos comerem à noite em casa, acho que é mais saudável também para eles.
Quem já adotou a alimentação sem carne como estilo de vida há pelo menos 12 anos é Alahna de Oliveira Lopes. No caso dela, a decisão veio de forma política, em defesa dos animais e da sustentabilidade.
— Existe uma demanda muito grande de recursos naturais para manter vivos esses animais que serão destinados para consumo. Depois que me tornei (vegana), minha saúde melhorou muito, porque são inúmeras possibilidades saudáveis.
Membro da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) em Passo Fundo, Alahna conta que sente a comunidade mais forte ao longo dos anos:
— Em Passo Fundo os restaurantes têm aderido cada vez mais a cardápios veganos e vegetarianos. Há quatro anos, era muito difícil de eu achar algo para comer quando saía, e já evoluímos muito.
Os benefícios e cuidados nutricionais
Conforme a nutricionista especialista em clínica e terapêutica nutricional, Luciana Inês Decarli, o acompanhamento de um profissional da área é fundamental para quem busca uma alimentação vegetariana ou vegana.
— As carnes têm proteínas de alto valor biológico, que reagem no organismo mais rapidamente, enquanto as demais proteínas são de baixo valor biológico. Por isso, quem opta por não consumir mais carne precisa ter acompanhamento, analisar se apresenta carência nutricional ou não, para fazermos planejamentos alimentares que elevem as taxas de proteína — explica.
Entre os benefícios de quem reduz ou cessa o consumo de carne, estão a leveza no intestino e a digestão mais rápida.
— A carne pesa por conta do seu processo digestivo, ela fica mais tempo no organismo. Por isso, as pessoas sentem uma leveza e uma mudança no intestino ao cortar o consumo. Sua digestão vai ser mais rápida — finaliza.


