
Após dois meses, o futuro das famílias que tiveram as residências interditadas após deslizamento de terra no bairro Manoel Portela, em Passo Fundo, no norte do RS, segue indefinido. Foram interditadas 25 residências depois do deslizamento que aconteceu no dia 18 de novembro de 2023. Segundo a Defesa Civil do município, as moradias ficam em área irregular.
No dia 22 de novembro, a prefeitura apresentou uma proposta para realocar as famílias em uma área no bairro Donária. Na época, o grupo de moradores visitou o local e na semana seguinte, em nova reunião, apenas 13 das famílias aceitaram a proposta de realocação. Os demais reivindicavam da prefeitura que uma obra fosse feita no local para garantir a segurança e que todos pudessem retornar para suas casas.
Os moradores que na ocasião aceitaram a proposta ganharam uma área correspondente a 125 metros quadrados para construírem suas moradias. Contudo, segundo o secretário de Habitação, Wilson Lill, a primeira área apresentada aos moradores não será viável em razão de questões envolvendo a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Lill disse que outras duas áreas já estão em análise pelo prefeito Pedro Almeida.
— Tivemos problema com a Fepam e voltamos atrás, buscamos outra área, agora estamos com uma área já bem encaminhada, já com uma predefinição de lotes, onde cabem 10 famílias. Isso já está bem encaminhado. Inclusive, a gente já mostrou para a família. Na semana que vem eu vou fazer uma reunião para mostrar isso e talvez já darmos um passo de avanço — explicou Lill.
Conforme o secretário, ainda faltariam lugares para cerca de cinco famílias, que já estão negociando outro espaço. Além disso, o secretário diz que a prefeitura está estudando a contratação de empresa para a construção das moradias pré-fabricadas, o que deve agilizar o processo.
— Ainda nos faltariam cinco ou seis casas, já temos uma segunda área, também já em processo bem avançado. Na próxima semana, vamos apresentar para o prefeito, (para ver) se ele acha que essas duas áreas podem ser usadas, e (se) ele nos autorizar, então avançamos mais um passo. Também estamos discutindo para uma possível contratação de casas pré-fabricadas com a empresa, para ser mais ágil, e as pessoas poderem ter uma casa boa a um custo mais baixo e mais ágil — pontou o secretário.
Reforma do talude
Os moradores reivindicam que a prefeitura realize uma obra estrutural no talude, a fim de garantir a segurança e a permanência de todos no local. Na época, uma empresa chegou a apresentar para a prefeitura uma projeção de custo de mais de R$ 8 milhões para execução da obra. Com isso, a prefeitura optou por realocar os moradores.
De acordo com o secretário, uma licitação está sendo encaminhada com o objetivo de contratar uma empresa especializada para analisar a possibilidade de obras no local e o custo. Somente após isso será tomada uma decisão sobre o local.
— O município está agora em fase de licitação de um projeto para que daí a empresa diga, bom, pode-se fazer e isso vai gerar segurança para as famílias voltarem, ou só pode-se fazer mas sem que as famílias possam voltar. Então é isso. E uma vez dito isso, depois o projeto para dizer quanto custa, o prefeito avalia e decide o que ele vai fazer — explicou Lill.
Contudo, essa situação ainda causa insatisfação entre os moradores, que em alguns casos cogitam retornar para as casas, mesmo interditadas. É o caso da auxiliar de cozinha Marlene Prestes de Matos, que mora no local com seu filho de 18 anos.
— Eles não estão se mexendo para nada. Desde o dia que aconteceu a situação, a gente está nessa. Sem aluguel, sem cesta básica, ninguém vai lá procurar para dizer se precisa alimento ou não. A gente tem que trabalhar. Eu trabalho de segunda a segunda. Eu voltei para minha casa, porque não tenho família aqui, que eu possa ficar na casa. Minha família é só eu e meu filho — desabafa a moradora.




