
Assim como países que recebem a Copa do Mundo utilizam o futebol como impulso esportivo e econômico, o 14 de Julho também teve seu momento de transformação e crescimento dentro e fora do campo.
A construção do Vermelhão da Serra, em Passo Fundo, no norte do Estado, marcou a tentativa do clube de acompanhar a evolução do futebol gaúcho e consolidar seu espaço entre as principais equipes do Estado.
O clube firmou acordo com o poder público e recebeu área maior no bairro São Cristóvão, em troca, entregou o terreno da Baixada. O documento previa retorno do espaço ao município em caso de extinção.
Torcedores ajudando na construção do novo estádio

A construção do novo estádio levou cerca de cinco anos. O torcedor participou do processo com compra de carnês, títulos e apoio direto na obra. Em 1969, o Estádio Vermelhão da Serra recebeu o primeiro jogo oficial.
A estreia ocorreu contra o Aimoré, pelo Campeonato Gaúcho. O 14 de Julho venceu por 2 a 0, com gols de Mariotti e João Pedro. O time adversário tinha um jovem lateral: Luiz Felipe Scolari.
No início da década de 1970, o clube buscou enfrentar equipes da capital. Em 1971, venceu o Internacional por 1 a 0 no Vermelhão, com gol do atacante Pedrada. O resultado entrou para a história local. Em 1977, superou o Grêmio em amistoso pelo mesmo placar, com gol do meio-campista Zé Augusto.
União entre clubes da cidade

Após os resultados expressivos, o clube enfrentou queda financeira no início dos anos 1980. 14 de Julho e Sport Club Gaúcho formaram o Esporte Clube Passo Fundo. Dirigentes optaram pela união para manter o futebol da cidade. A proposta previa atuação conjunta apenas no futebol, sem unificação dos patrimônios.
— Os dois estavam em crise e havia um entendimento de que, juntos, podiam fazer frente a outros clubes do Estado. Esse, aliás, não foi um movimento único. Em Caxias do Sul, anos antes, o Grêmio Esportivo Flamengo também havia tentado uma união com o Juventude — explicou o historiador do Instituto Histórico de Passo Fundo, Marco Damian.
O novo clube adotou cores das duas equipes. O time utilizou o estádio Wolmar Salton para jogos e deixou o Vermelhão para treinos. Na primeira temporada, conquistou a Segunda Divisão do Gauchão e garantiu acesso.
A campanha terminou com empate sem gols contra o São José em Porto Alegre. Em paralelo, Lajeadense e Ypiranga também empataram. Os resultados garantiram o acesso ao Passo Fundo e ao Lajeadense.
Após o encerramento da competição, o São José questionou a situação na Justiça Desportiva. O tribunal considerou o processo improcedente. A federação havia autorizado a união no formato apresentado.
— O São José alegava que a fusão tinha que acontecer com os patrimônios dos clubes, mas foi julgado improcedente porque a federação havia autorizado a fusão no futebol. Apesar disso, no ano seguinte, a fusão deveria ser total — disse.
Apesar do resultado em campo, divergências internas surgiram. Parte dos sócios do Gaúcho defendia separação. A estrutura dos dois clubes pesava na decisão. O Gaúcho possuía sede social. O 14 de Julho tinha o estádio.
Em janeiro de 1987, ocorreu a transferência do patrimônio do 14 de Julho ao Esporte Clube Passo Fundo. Com o ato, o 14 de Julho deixou de existir de forma oficial. O Vermelhão passou a integrar o novo clube.
*Sob orientação e supervisão do jornalista Vitor Zuccolo.



