
A prática do judô levou o atleta Pedro Henrique Baidek, 29 anos, a conquistar mais de 50 medalhas e um título mundial no esporte. O judoca morador de Erechim, no norte do Estado, é faixa preta da arte marcial.
Diagnosticado com síndrome de Down, as limitações impostas pela condição nunca foram motivo para deixar a dedicação de lado, e Pedro conta que mantém uma rotina intensa de prática:
— Eu treino de segunda a quinta-feira. Também faço academia e tenho acompanhamento nutricional, faço violão e no sábado, aula de inglês. Minha rotina é bem puxada nessa questão.
Baidek faz parte da seleção brasileira de judô para todos e integra a Associação Erechim de Judô. Depois de conquistar a faixa preta em 2009, ele se tornou um dos professores da entidade. Ao longo do tempo, o atleta desenvolveu diferentes habilidades.
— Com o passar dos anos o Pedro foi sendo moldado. Suas capacidades corporais, comportamentais e capacidade cognitiva foram sendo trabalhadas e estimuladas em cima do tatame com exercícios e atividades, muitas vezes lúdicas, até que ele se torna esse multiatleta e multicampeão da modalidade — relatou o professor e presidente da associação, Giuliano Liotto.
Livro conta vida do atleta

A trajetória do atleta já está contada em um livro. Entre as diversas histórias e medalhas, a conquista de primeiro lugar no torneio mundial de judô para todos, na Holanda, em 2023, é a que Pedro mais se orgulha.
— É uma história rica em detalhes de superação onde ele mesmo diz que os pais tem que acreditar nos seus filhos mesmo com uma condição genética. No decorrer do livro, contei sobre uma pessoa que quer vencer e conquistar, mas não só no judô — falou o jornalista e autor da obra, Rodrigo Finardi.
A vida fora do tatame ainda guarda obstáculos. Para a mãe do atleta, Neiva Delazeri Baidek, o mercado de trabalho ainda carece de oportunidades.
— Enquanto eles estão na escola, com colegas e amigos, está tudo bem. Depois quando ficam maiores e passa da adolescência, acaba faltando oportunidades, porque legislação tem — falou.
Em setembro, Pedro vai embarcar para Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, para disputar o campeonato aberto de judô das Olimpíadas Especiais. Para ele, o apoio da família é o fator determinante para seguir nas conquistas:
— Minha família sempre está lá para me dar a mão para eu me levantar, para eu encarar de frente as dificuldades tanto no esporte quanto na vida.




