
Em 2007, o Brasil assistiu ao surgimento de um artilheiro improvável. Aos 27 anos, idade em que muitos atacantes já estão consolidados, Josiel da Rocha despontou com a camisa do Paraná Clube e se tornou goleador do Campeonato Brasileiro, marcando 20 gols em 38 partidas, desempenho que o projetou para o cenário nacional e internacional.
Nascido em Rodeio Bonito, no Norte do Estado, ele deu seus primeiros passos no futebol no Inter de Santa Maria, onde foi formado. Antes de alcançar visibilidade, passou por Pelotas, São José, Avenida, Juventude e Brasiliense, quase sempre por empréstimo, vivendo a realidade dura dos jogadores que tentam sobreviver no futebol brasileiro. Foram anos marcados por dúvidas, viagens curtas, contratos incertos e a sensação constante de tentar se afirmar.
— As lembranças que mais marcam são as dificuldades do início, porque a gente não sabe o que vai acontecer, mas tudo isso contribuiu para o crescimento e faz valorizar as conquistas — relembrou o ex-jogador.
Aos poucos, a carreira começou a tomar forma. No Juventude, em 2005, Josiel teve sua primeira sequência de boas atuações. Dois anos depois, encontrou no Paraná Clube o palco perfeito para transformar chance em história. Além dos gols que o consagraram como artilheiro do Brasileirão, 2007 também marcou sua estreia na Libertadores. O gol anotado na fase preliminar segue como uma das memórias mais fortes da carreira.
— O gol na pré-Libertadores foi especial porque era minha primeira e única Libertadores, então marcou bastante aquele momento — contou.
Passagem pelo Flamengo e aposentadoria

O ano mágico abriu portas fora do país. No início de 2008, Josiel transferiu-se para o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos. A adaptação foi desafiadora, mas a passagem durou pouco. Ainda naquele ano, retornou ao Brasil para vestir a camisa do Flamengo, onde conviveu com pressão constante. Mesmo assim, deixou números importantes: marcou 13 gols e foi vice-artilheiro do Carioca de 2009.
— A cobrança no Flamengo era diária e pesada, mas mantive os pés no chão. Mesmo chegando sem ritmo, consegui aproveitar as oportunidades e tive uma boa média de gols — disse.
A irregularidade, porém, cobrou seu preço. Sem renovação com o Flamengo, Josiel seguiu sua trajetória por diversos clubes: Atlético-GO, Paysandu, Macaé, Cuiabá, Rio Branco e Volta Redonda. Em 2014 e 2015, já mais próximo do fim da carreira, defendeu o União Frederiquense, onde encerrou o ciclo como jogador profissional.
Depois da aposentadoria, Josiel retornou a Rodeio Bonito e passou a levar uma vida mais tranquila, centrada na fé e na convivência familiar. Hoje, se define como um homem sereno, transformado e grato por tudo o que viveu dentro e fora de campo.
Mas, mesmo longe dos holofotes, o futebol seguiu ocupando espaço na rotina. Em agosto de 2025, aos 45 anos, Josiel voltou aos gramados ao ser contratado pelo Uberlândia, equipe que disputa o campeonato de veteranos de Santa Maria, uma das competições mais tradicionais da Afuvesma, que reúne dezenas de clubes da região.
Hoje, Josiel joga pela lembrança dos bons momentos e pelo vínculo com o futebol que sempre fez parte da vida dele. O cenário agora é diferente, mais tranquilo, mas o nome é o mesmo. No interior do Rio Grande do Sul ou na memória do torcedor, uma coisa não muda: Josiel segue sendo o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2007.
— Hoje vivo tranquilo na minha cidade. Muita coisa mudou, graças a Deus, pra melhor. Sou um homem de paz, de fé. E a vida melhorou muito com o tempo — completou.
