
O Ypiranga encerrou a temporada de 2025 no último sábado (30), ao ser eliminado da Série C do Brasileirão. Em entrevista após a partida contra o Figueirense, o presidente Adilson Stankiewicz expôs bastidores e falou sobre as dificuldades enfrentadas ao longo do ano, incluindo o risco de rebaixamento na última rodada.
Imaginar esse cenário era quase impossível até a décima rodada, quando o time gaúcho estava na terceira colocação e brigando pela liderança da competição. Foi nesta rodada, inclusive, que o Ypiranga goleou o ABC e obteve quatro vitórias consecutivas. Mas foi a última antes da queda de rendimento.
Depois disso, o Canarinho chegou a ficar oito jogos sem vencer. A seca foi encerrada apenas na última rodada, quando superou o Figueirense por 1 a 0 e espantou o fantasma do rebaixamento, carimbando a permanência na Série C 2026.
Extracampo prejudicou
Durante a disputa da competição nacional, o Ypiranga perdeu três profissionais. O primeiro a deixar o Canarinho foi o executivo Fárnei Coelho. Na terceira rodada, ele recebeu proposta do Guarani, de Campinas, pediu desligamento e assumiu a mesma função no adversário.
Três meses depois, foi a vez do técnico Matheus Costa se juntar à Fárnei Coelho e assumir o comando técnico do Guarani. O profissional pediu demissão do Ypiranga na 14ª rodada, quando o clube vinha de sequência de duas derrotas e dois empates.
O único jogador que começou e não terminou a disputa da Série C com a camisa verde e amarela foi o volante Charles. O camisa 5 recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Ituano que, mais tarde, foi visto como má-fé pela direção do clube. Isso porque dias depois de ser suspenso, o atleta comunicou sua ida para o Operário-PR e não ficou em Erechim para apoiar os companheiros na última rodada da competição, contra o Figueirense.
— O vestiário é muito sensível e qualquer mudança contrária é sentida, ainda mais quando você tem uma equipe montada por um profissional, quando você está no meio de uma temporada sendo conduzida por outro profissional e essas pessoas lhe deixam. Tentamos bloquear, mas chegam várias propostas para os atletas, que é natural, mas isso atrapalha. O atleta conscientemente ou inconscientemente baixa sua produtividade, porque cada um pensa apenas em si. O resultado depende do coletivo, e se um atleta estiver desfocado no jogo, ele compromete o trabalho de 60 pessoas. Foram essas situações que aconteceram esse ano. Foi um ano muito difícil, com várias facadas nas costas — disse o presidente Adilson Stankiewicz, que frisou ter sido enganado por esses profissionais:
— Tivemos essa queda de rendimento na reta final de competição porque sofremos por alguns processos muito ruins, inclusive de questões éticas. É difícil de falar, mas no futebol a palavra certa é trairagem. A trairagem acabou trazendo tumulto e o vestiário é algo muito sensível e essas coisas infelizmente atrapalharam demais. Foi o ano que eu mais me senti traído e por pessoas que eu tinha a máxima confiança. Isso foi muito dolorido e graças a Deus essa situação não foi ainda pior, porque poderia ter sido. Agradeço a todos que nos ajudaram, porque sim, tivemos muito risco de cair para a Série D.
Procurado pela reportagem, Fárnei Coelho preferiu não se manifestar. Já o técnico Matheus Costa respondeu o seguinte:
"Sinceramente, não acompanhei estas declarações e entrevistas. Neste momento, estou concentrado neste grande desafio que temos à frente do Guarani. Desejo força e sucesso ao Ypiranga e a todas as pessoas e profissionais envolvidos neste projeto. As minhas recordações em Erechim são as melhores possíveis", disse.
A reportagem também tentou contato com o volante Charles, mas até a publicação não houve nenhum retorno.
Ano de superação
Apesar das intercorrências nos bastidores, o dirigente comentou que foi uma temporada positiva.
— Queríamos muito ter avançado entre os oito, porque tínhamos elenco para brigar pelo acesso. Independentemente de tudo que aconteceu nos bastidores, foi um ano vencedor. Fomos campeões da Taça Farroupilha, conquistamos vaga para a Copa do Brasil e vamos disputar a Série C mais uma vez. Se acharem que isso não está bom, perguntem para CSA e ABC (equipes rebaixadas à Série D), que são duas potências no país, se eles não gostariam de se manter na competição — concluiu Stankiewicz.
Em 31 jogos disputados nesta temporada, o Ypiranga venceu 12, perdeu dez e empatou nove — aproveitamento de 48%. A campanha assegurou o título da Taça Farroupilha ao time de Erechim, além da vaga para disputar a Copa do Brasil em 2026.
Foco em 2026
A expectativa é que o Ypiranga tenha uma reformulação no elenco para a próxima temporada. Até o momento, Canarinho renovou o contrato com cinco atletas: goleiro Zé Carlos, zagueiro William Gomes, meia Lucas Ramos, volante Gabriel Terra e atacante Gabryel Martins.
Cinco jovens que subiram das categorias de base também terão sequência na equipe principal: Arthur Pigatto, Dudu, Eduardo Grechi, João Branco e Fogaça.
Jogadores como o meia Marlone, o centroavante Maxuel e o atacante Válber Júnior têm vínculo com o time de Erechim até o término do Gauchão, mas poderão deixar o clube antes do término do contrato.
O Ypiranga terá três meses para montar o elenco para 2026, visto que a pré-temporada está prevista para iniciar em dezembro.





