
Em Passo Fundo, pelo menos 5% dos funcionários dos Correios devem aderir ao Plano de Desligamento Voluntário (PDV) de 2026. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect) do município, a estimativa inclui cerca de 20 dos quase 400 trabalhadores da subsede.
O plano integra a fase 1 do plano de reestruturação econômico-financeiro de 2025 a 2027, e prevê o desligamento de 15 mil funcionários de forma voluntária, além de fechar mil agências em todo o Brasil. A medida visa reduzir os custos da estatal, que identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões em setembro de 2025.
Segundo o presidente local do Sintect, Gelson Zapello, poucos funcionários da estatal cogitam aceitar o plano, principalmente pelo valor oferecido. Nenhum trabalhador de Passo Fundo se inscreveu até o momento. As inscrições abriram na terça-feira (3) e seguem até 31 de março, com conclusão prevista até o fim de maio.
Questionada pela reportagem, a estatal informou que não há confirmação de que haverá o fechamento de alguma das agências de Passo Fundo. Hoje a cidade tem uma agência dos Correios na Rua Morom e duas franqueadas, na Rua Capitão Eleutério e Vila Rodrigues, além de um ponto de coleta na Vila Vergueiro.
"Os Correios estão concluindo os estudos para a reorganização de unidades e efetivo, com foco em eficiência e sustentabilidade. Essas análises consideram critérios técnicos e têm como premissa inegociável a garantia do atendimento aos clientes, parceiros e à universalização dos serviços postais em todas as regiões do país", disse a estatal à reportagem.
Como funciona o plano de adesão

A expectativa é que o PDV tenha o potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A economia anual estimada nas despesas de pessoal com as demissões é de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno a partir de 2028, quando as despesas devem ser reduzidas em até R$ 5 bilhões.
Para participar, o funcionário dos Correios precisa estar na ativa e cumprir três requisitos básicos:
- Ter pelo menos 10 anos de trabalho na empresa
- Ter menos de 75 anos
- Possuir ao menos três anos de remuneração nos últimos cinco anos.
Ao final, aqueles que aderirem ao plano podem receber de R$ 27 mil a R$ 650 mil, no máximo. Esse valor não tem desconto no imposto de renda e é calculado com base na pontuação de idade do servidor, tempo de serviço e bônus para quem já é aposentado.
Na hora de se inscrever, o trabalhador deve escolher entre receber à vista ou parcelado em 96 vezes. A escolha é crucial, já que a empresa dará prioridade de saída para quem aceitar receber o pagamento no maior número de parcelas.
A rescisão é tratada como uma "demissão a pedido", o que significa que não há direito ao aviso prévio nem à multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Além disso, dívidas com a empresa ou bolsas de estudo em curso serão descontados no acerto final.
Na prática, um funcionário fictício com 55 anos, 25 anos de casa e que recebe em média R$ 6 mil mensais, receberia R$ 70,2 mil através do plano de desligamento voluntário. Se aceitar as 96 parcelas, ele receberá cerca de R$ 730 por mês pelos próximos oito anos. O valor seria reajustado anualmente pela inflação (IPCA).
Hoje os Correios contam com mais de 82 mil empregados próprios e mais de 10 mil funcionários terceirizados. Qualquer trabalhador da estatal pode simular seu incentivo através do simulador digital dos Correios.
🤳 Para ler mais sobre o que acontece na região, entre no canal de GZH Passo Fundo no WhatsApp e receba as principais informações do dia. Clique aqui e acesse.
