
Qual é a melhor idade para uma criança entrar na rotina escolar? Pela lei, a frequência é obrigatória a partir dos quatro anos, mas muitas famílias matriculam os filhos antes de completarem o primeiro aninho, seja pela necessidade de retornar ao trabalho ou pela falta de uma rede de apoio.
A obrigatoriedade vale para a pré-escola, etapa que começa aos quatro anos. Já a creche, que atende crianças de zero a três anos, é um direito das famílias. Essa oferta de vagas é um dever do poder público, mas não é obrigatória: cabe aos pais decidirem se e quando matricular os filhos.
Segundo especialistas, a escolha permite que a família volte à rotina profissional, mas a escola ou creche precisa ser escolhida com atenção. A pedagoga e psicóloga Rosana Coronetti Farenzena, doutora em Estudos da Criança e professora da Universidade de Passo Fundo, explica que a redução da idade mínima para frequentar a escola acompanha mudanças sociais: as mães estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e precisam de suporte das escolas ou do Estado.
Para ela, quanto mais cedo a criança é inserida na escola, maiores os benefícios, já que a educação também dá independência aos pequenos. Por isso, cabe aos pais avaliar bem em qual instituição matricular os filhos.
— Quando os pais decidem que é o momento de levar a criança para a creche, diversos fatores contam além da idade biológica da criança. Depende de condições da família, contar com outros adultos na rede de apoio para levar e buscar, e ainda contar com uma escola acessível e com educação segura.
Esses diferentes contextos (econômicos, sociais, a composição da família e a presença ou não de um adulto responsável pelo cuidado) impedem os especialistas de apontar uma única "idade ideal" para o início da vida escolar. Ao mesmo tempo, são observados ganhos significativos nas crianças que ingressam cedo. Entre eles estão o domínio corporal, o desenvolvimento cognitivo e até o amadurecimento socioemocional, como explica a pedagoga:
— Hoje as famílias têm um número menor de filhos e essa criança tem dificuldade de desenvolver mecanismos de adaptação com outras crianças ao entrar num ambiente completamente novo aos quatro anos. A criança é muito egocêntrica se crescer só com adultos. Na escola ela já vai aprendendo isso, sentindo que há diferenças entre outras crianças, entende que é legal ter amigos.
“Ajudou a desenvolver a personalidade dela”: os ganhos de quem entra cedo
A dentista Débora Pereira Diniz Correia Barcellos, mãe da Alana, 4 anos, foi uma das famílias que optaram por começar o ensino cedo. Até completar dois anos e meio, a menina ficou em casa, cuidada pela família e, até completar a idade mínima para ingressar em turno parcial.
Até aquele momento, Alana era a única criança da família, o que fez com que a escola fosse o primeiro contato dela com outras crianças. Segundo Débora, quando entrou na escola a criança já caminhava, se comunicava pouco e estava no início do desfralde, e os avanços apareceram rapidamente:
— Ir para a escola ajudou muito no convívio com outras crianças. A fala dela evoluiu muito, ela passou a experimentar alimentos diferentes na hora do lance e percebi que desenvolveu super a personalidade dela. Ela sempre foi observadora, e teve essas características mais marcadas, de mostrar quem ela é — conta a mãe.
Na análise da mãe, ter colocado a filha antes da idade obrigatória fez com que ela criasse vínculos mais cedo com os colegas e, juntos, todos passaram pela adaptação, enquanto hoje, os colegas que entraram “sozinhos” na turma aos quatro anos, enfrentam o processo de se adaptar à rotina, sozinhos. Agora com um segundo filho, Breno de dois meses, a família planeja colocá-lo na escola ainda mais cedo, no berçário, com um ano:
— Ajuda na rotina familiar e no desenvolvimento deles. Eles ainda têm o momento de estar em casa em família, mas têm o momento da escola, em um ambiente que acolhe. Ainda estamos analisando mas o plano é este, e assim consigo retornar ao trabalho ainda antes — planeja Débora.


