
Alunos do ensino médio do Colégio Sinodal Rui Barbosa, de Carazinho, no norte gaúcho, desenvolveram uma alterativa para deixar os cães de um abrigo mais confortáveis: eles criaram a miniempresa PET Pra Pet, que transforma garrafas plásticas em caminhas para animais abandonados.
A ideia surgiu durante o Programa Miniempresa, da Junior Achievement, desenvolvido na escola pelos alunos do terceiro ano. Eles observaram dois problemas na comunidade: o descarte inadequado de resíduos plásticos e a necessidade de mais conforto para animais acolhidos por protetores independentes e entidades de proteção animal.
— Nós juntamos esses dois problemas em um único produto e desenvolvemos uma cama pet feita de garrafas PET — explica o presidente da miniempresa, Miguel Glasenapp Kirinus, 18 anos.
Cada cama desenvolvida para os cães e gatos usa 24 unidades de garrafas PET. Ao longo do projeto, mais de 4 mil embalagens foram retiradas do meio ambiente e incorporadas à produção. Além disso, cerca de 197 quilos de resíduos plásticos foram encaminhados para reciclagem por meio de pontos de coleta espalhados pela cidade.
Mas o impacto foi além da questão ambiental: além das camas vendidas ao público, os estudantes criaram um modelo que permitia a compra do produto para doação. Graças à iniciativa, 104 camas foram destinadas para a Associação Carazinhense de Proteção aos Animais (Acapa) e para a Associação das Protetoras Voluntárias dos Animais.
— A gente conseguiu envolver toda a comunidade de Carazinho nesse processo. Tanto para doar as garrafas para fazermos os produtos quanto para doar as camas para as entidades — conta Miguel.
Experiência de empresa real
A PET Pra Pet integra o Programa Miniempresa, desenvolvido em Carazinho pela Associação Comercial e Industrial de Carazinho (Acic), em parceria com a organização Junior Achievement.
Durante o projeto, os alunos assumem funções semelhantes às de uma empresa real. Eles são divididos em setores como produção, financeiro, marketing e recursos humanos, além de contar com o acompanhamento de mentores e empresários voluntários. Ao todo, 29 estudantes participaram da iniciativa.
— Somos 29 pessoas diferentes trabalhando por uma única causa. Quando começamos, não imaginávamos que chegaríamos tão longe — conta a diretora de produção da miniempresa, Maria Carolina Cadore.
Segundo a coordenadora do projeto, Juliana Link, que é vice-presidente da Acic, os estudantes passam por todas as etapas de criação e gestão do negócio.
— Eles escolhem o produto, definem a matéria-prima, produzem, comercializam e administram a empresa. É uma vivência prática de empreendedorismo — relata.
Destaque internacional
O projeto deu tão certo que ficou entre as 10 melhores miniempresas do país e foi indicado ao Prêmio Miniempresa Brasil, da organização Junior Achievement, que acontece de 7 a 12 de outubro na cidade de Luís Correia, no Piauí. Lá, o grupo vai representar o Rio Grande do Sul na etapa nacional da competição.
Em novembro, uma nova oportunidade de mostrar o trabalho: eles foram indicados para o Prêmio Américas de Miniempresas, que acontece em Quito, no Equador, de 22 a 24 de novembro, dessa vez como representantes do Brasil, garantindo vaga entre as melhores miniempresas do mundo.
Para os estudantes, a classificação é o reconhecimento de um trabalho que uniu empreendedorismo, sustentabilidade e impacto social.
— A gente abraçou essa ideia porque acredita que pode contribuir para um mundo melhor. Hoje sabemos a importância da sustentabilidade e do cuidado com o meio ambiente — celebrou Maria Carolina.




