
Um ano depois de entrar em vigor, a lei que restringiu a utilização de celulares por estudantes em instituições de ensino tem avaliação positiva por parte dos educadores e direção de escolas públicas de Passo Fundo. A lei n° 15.100 de 2025 foi sancionada em janeiro do ano passado e passou a valer no começo do ano letivo.
Antes da regra, parte das escolas já estabelecia normas internas que limitavam o uso dos aparelhos. A legislação, porém, respaldou o controle de forma legal, com efeitos já sentidos em instituições como a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Adolfo Camargo, no bairro Santa Marta.
— A não utilização do celular no ambiente escolar traz como principal benefício a melhora no rendimento escolar em função do aluno passar a focar no conteúdo da aprendizagem e não no barulho das notificações do celular — ressaltou a diretora da escola, Simone Siqueira.
Para o secretário de Educação Adriano Teixeira, apesar de haver relatos melhora, principalmente na retenção da atenção dos alunos, ele afirma ainda ser cedo para associar a proibição com o desempenho escolar:
— O aprendizado depende de vários fatores. O restante do tempo que os alunos estão fora das escolas também influencia diretamente no processo, mas há escolas que já relatam alguns efeitos iniciais.
Processo de adaptação

Para Felipe, estudante do 6º ano da EMEF Adolfo Camargo, deixar de usar o celular por quatro horas na instituição foi desafiador, mas valeu a pena:
— Eu tive uma mudança significativa nas notas, aumentei bastante. Antes era tipo um vício, agora minha concentração também melhorou.
Quando a lei é desrespeitada, o professor recolhe o aparelho do aluno, que é notificado. Na terceira notificação, o celular é confiscado e a família, acionada. Em algumas escolas, a direção solicita que os estudantes deixem os celulares na secretaria logo na chegada.
— No início, tivemos casos de ansiedade, alunos que entravam em pânico por ficar sem celular, para ver o grau de dependência. Hoje, muitos têm escapado disso, nós percebemos que têm mais capacidade de concentração — acrescentou o professor e diretor do Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo (CMP), Tiago Machado.




