
Depois de um hiato de sete anos, Passo Fundo voltará a sediar a Jornada Nacional de Literatura. Detalhes sobre a nova edição foram divulgados nesta quarta-feira (5), durante a 37ª Feira do Livro de Passo Fundo, marcando o retorno de um dos encontros literários mais tradicionais do país.
O evento terá um formato diferente: o novo modelo transforma a jornada em um movimento literário permanente, com ações de formação, leitura e debate cultural realizadas ao longo dos próximos três anos.
— Passo Fundo é uma cidade leitora e educadora e queremos fomentar cada vez mais a leitura entre nossas crianças e jovens. A jornada sempre colocou Passo Fundo em um patamar nacional e estadual. Esse retorno é cheio de simbolismo — afirmou o prefeito Pedro Almeida.
A Universidade de Passo Fundo (UPF) e a prefeitura retomam a parceria para reconstruir o evento, que agora envolve também entidades como o Sesc, 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), a Academia Passo-Fundense de Letras e os livreiros da cidade.
De acordo com o secretário de Cultura, Rafael Bortoluzzi, o formato contínuo permitirá que a jornada se consolide como uma experiência de formação e não apenas de celebração.
— Antes, a jornada acontecia a cada dois anos. Agora, ela se transforma em uma grande viagem literária, com eventos que vão acontecendo até 2028. A ideia é voltar para a base, levar a leitura para as escolas e formar novos professores e novos leitores — explicou.
Nesta quarta acontece uma das atividades da nova Jornada Nacional de Literatura: uma ação dos projetos "Leituras Boêmias" e "Cevadas Literárias", no Bokinha (Rua Independência, 646), às 21h, com os vencedores do Prêmio Sesc Literatura 2024, Patrícia Souza de Lima e Ricardo Maurício Gonzaga.
Grande movimentação literária

Para a reitora da UPF, Bernardete Dalmolin, a retomada é um passo importante para renovar a tradição literária que tornou Passo Fundo reconhecida nacionalmente.
— Nós estamos muito felizes de poder lançar novamente essa grande movimentação literária. Eu acredito que nós daremos um passo bem importante nesse fortalecimento (da literatura na cidade). Temos todas as bases e, daqui para frente, nós continuaremos mantendo essa chama viva e mais forte — afirmou.
Segundo ela, o planejamento contempla desde atividades formativas até encontros entre autores e leitores:
— Nosso objetivo é ampliar os indicadores de leitura e fortalecer o orgulho de sermos uma cidade que trabalha o conhecimento e a cultura.
A jornada que forma leitores

Entre o público presente no lançamento estava Satiê Aires Bastos, 27 anos, que hoje cursa licenciatura em História na UPF. Ela lembra com carinho da última jornada.
— Foi lá que eu conheci o Pedro Bandeira, o meu escritor favorito. Foi um ambiente muito enriquecedor para mim porque me incentivou não só a ler livros de outras culturas, mas também da nossa própria cultura aqui do Brasil — recorda.
Para ela, eventos como a Jornada são decisivos na formação de leitores:
— Eu acredito que as crianças que estão aqui hoje, vendo tudo isso, vão se tornar leitoras no futuro. Foi assim comigo. A jornada me incentivou a ler, a estudar e até a escolher ser professora.
A última edição da Jornada Nacional de Literatura foi em 2017. Desde então, o evento passou por cancelamentos devido à falta de recursos e, depois, pela interrupção por conta da pandemia.
O retorno marca não apenas a reestruturação de um dos maiores encontros literários do país, mas também o fortalecimento de uma identidade: a de Passo Fundo como Capital Nacional da Literatura.
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