
O que torna uma universidade sustentável vai muito além de áreas verdes ou do uso de painéis solares. Ao avaliar políticas e ações voltadas à sustentabilidade, o ranking internacional UI GreenMetric World University Ranking classificou a Universidade de Passo Fundo (UPF), como a 11ª instituição mais sustentável do Brasil, a 49ª da América Latina e a 336ª do mundo.
Criado em 2010 para mensurar o desempenho em gestão ambiental e o compromisso institucional com o desenvolvimento sustentável, o ranking chegou, em 2025, à sua 15ª edição. Neste ano, foram analisadas 1.745 instituições de ensino de 105 países, resultado que levou a universidade do norte do Estado a conquistar a segunda posição no Rio Grande do Sul.
Em entrevista, a doutora em Engenharia de Produção, professora da UPF e coordenadora do Centro Acadêmico Green Office UPF Luciana Brandli, fala mais sobre o reconhecimento.
O que representa para a UPF a classificação no UI GreenMetric World University Ranking?
O reconhecimento evidencia a constância das práticas sustentáveis adotadas pela universidade. Ocupar essa posição do ranking demonstra o cuidado da instituição com o tema, especialmente na gestão de resíduos sólidos e no uso eficiente da água, refletindo práticas consolidadas de sustentabilidade no campus. A infraestrutura apresenta desempenho muito satisfatório, com proporção adequada entre áreas verdes e áreas construídas, o que contribui para a qualidade ambiental e o bem-estar da comunidade acadêmica.
Quais critérios são avaliados para definição do ranking?
Entre os critérios considerados, o relatório analisa o ambiente e a infraestrutura da instituição; energia e as mudanças climáticas; gestão de resíduos; uso e a conservação da água; políticas de mobilidade; além de educação e pesquisa, este último item representa 18% da pontuação total da avaliação.
A metodologia leva em conta o porte da universidade, o tipo de campus e a proporção de áreas verdes. Também são analisados o consumo de eletricidade, diretamente ligado à pegada de carbono, além de indicadores como transporte, uso da água, gestão de resíduos, planejamento, infraestrutura e a integração da sustentabilidade no ensino e na pesquisa. A partir do levantamento, as instituições avaliadas conseguem identificar pontos de melhoria.
A UPF conquistou quais resultados nesta edição do ranking?
Em 2025, a UPF atingiu 75% dos indicadores relacionados à infraestrutura; 67% em energia; 89% em resíduos; 90% em água; 56% em transporte; e 83% em educação e pesquisa. O resultado representa avanço em quase todas as categorias quando comparado ao ano anterior — com exceção do transporte, que manteve o índice, e da gestão de resíduos, que apresentou queda de 5%. O relatório de sustentabilidade é essencial para demonstrar o que vem sendo realizado e, principalmente, realinhar ações em busca de um aprimoramento contínuo. Esse levantamento ajuda a comprovar a maturidade institucional em relação àsustentabilidade.
O que motivou a evolução da UPF no ranking?
A evolução está diretamente relacionada a ajustes concretos na gestão do campus e ao fortalecimento da sustentabilidade como eixo transversal do ensino, da pesquisa e da extensão. As melhorias mais significativas foram observadas na qualificação da infraestrutura verde e no aumento de iniciativas acadêmicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, com maior protagonismo dos estudantes e alinhamento à Agenda 2030 da ONU.
O campus I da UPF apresenta características muito positivas nos requisitos referentes à vegetação florestal utilizada para pesquisa, ensino e envolvimento comunitário, assim como nas áreas de preservação e no equilíbrio entre espaços edificados e impermeáveis. Na área de energia, ampliamos o uso de equipamentos eficientes, edifícios inteligentes e fontes renováveis, além da consolidação do selo Green Office.
Em que consiste o selo Green Office?
O Green Office UPF surgiu em 2020 e passou a promover ações de aprendizagem e engajamento por meio de palestras e workshops voltados à comunidade acadêmica, além do desenvolvimento de projetos de sustentabilidade financiados. Em 2023, a instituição contabilizou 14 projetos em diferentes frentes, que vão desde educação ambiental e compostagem, desenvolvimento de jogos e hortas universitárias até a construção de cenários futuros e análises de impacto.
As universidades desempenham um papel fundamental no desenvolvimento sustentável, pois atuam como centros de geração de conhecimento, formação de pessoas e inovação tecnológica. Contribuem por meio da educação e da conscientização, do incentivo à pesquisa e à inovação e exercem influência nas políticas públicas, servindo como exemplo de gestão sustentável para a sociedade.






