
Passo Fundo, no norte do Estado, conta atualmente com 3,2 mil migrantes com vínculo empregatício formal. A maioria trabalha na indústria de transformação, especialmente no setor frigorífico, e em supermercados.
De acordo com o coordenador da Agência Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (FGTAS/Sine), Cassiano Paim Bandeira, o local auxilia cerca de 30 imigrantes por dia a encontrar uma vaga de emprego no município.
Com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a nacionalidade desses trabalhadores é diversificada, mas migrantes da Venezuela, Haiti, Cuba, são mais frequentes. Há também pessoas do continente africano e asiático trabalhando em Passo Fundo.
Para a chefe do escritório da Agência da ONU para as Migrações (OIM) no Rio Grande do Sul, Patrícia Siqueira, a migração contribui com o desenvolvimento de Passo Fundo:
— Com a empregabilidade, a autonomia financeira reduz vulnerabilidades e riscos de explorações laborais, ao mesmo tempo que empresas e comunidades se beneficiam para o desenvolvimento econômico.
Maioria não trabalha na área de formação

Para o professor guineense, Saído Baanlde, 33 anos, que trabalha na rede estadual de ensino em Passo Fundo, a principal dificuldade dos estrangeiros é encontrar uma vaga em sua área de formação.
De acordo com Saído, que mora desde 2021 no município, uma pesquisa interna realizada com a comunidade de 60 guineense que vivem no município revela que 99% do grupo possui curso superior, de especialização ou técnico — seja concluído ou em andamento. No entanto, apenas 25% trabalham na área de formação.
— Tenho duas graduações, em História e em Ciências Humanas. Conclui neste ano meu mestrado em História Social. Temos guineenses formados em outras áreas, podemos contribuir com o desenvolvimento do município — comenta.
Mesmo com a especialização, Saído trabalhou como operador de caixa em um supermercado no bairro Petrópolis e na empresa JBS, no setor de abate de frango.
Apesar da falta de oportunidade nas áreas de formação, o professor avalia positivamente quase todos da comunidade terem emprego formal.
— O imigrante acaba sendo aquela pessoa que vem para contribuir, em termos culturais, em termos sociais e em termos econômicos também. Trabalhando na educação, também vejo que estamos contribuindo com a diversidade, gerando boa relação e a aceitação da diversidade cultural que Passo Fundo tem — finaliza Saído.

