
O edital de venda da área da antiga Manitowoc, em Passo Fundo, estabelece entre as principais exigências um investimento mínimo de R$ 20 milhões por parte da empresa vencedora do leilão, marcado para 17 de setembro, na bolsa de valores do Brasil, a B3, em São Paulo.
Esse valor deverá ser investido para além do valor de compra que, em leilão, será equivalente a 40% do valor de mercado. O imóvel está avaliado em R$ 81 milhões, logo, o lance inicial deverá ser de R$ 32,4 milhões.
O edital, lançado nesta terça-feira (30), ficará aberto por 60 dias e prevê a venda com encargos, modalidade adotada porque o imóvel possui edificações e porque o município pretende garantir retorno econômico e social do investimento público realizado no local.
A área pública tem cerca de 45 hectares — equivalente a 63 campos de futebol — e aproximadamente 26 mil metros quadrados de área construída entre galpões industriais e estruturas administrativas.
— Queremos evitar que alguém venha, compre o imóvel e se desfaça logo depois. Temos que ter segurança para que isso volte a gerar recursos e que a sociedade receba de volta todo o investimento que foi feito — afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Adolfo Freitas.
Contrapartida do município
Além do desconto em relação ao valor de avaliação, a prefeitura também aposta em investimentos públicos para tornar a área mais atrativa. Segundo o secretário de Obras, Rubens Astolfi, a região passa por uma expansão logística que deve valorizar ainda mais o complexo.
— A prefeitura está analisando um empreendimento totalmente privado, lindeiro à área, com mais de 100 hectares, que vai trazer um centro logístico para potencializar ainda mais aquela região. O crescimento daquela área traz uma oportunidade grande para quem se instalar na antiga Manitowoc. Outro atrativo é o novo trevo da RS-324, com investimento de R$ 20 milhões — destaca.
O imóvel está localizado em uma área onde a legislação permite empreendimentos industriais e logísticos, considerados prioritários para o desenvolvimento econômico do município. As atividades devem ser mantidas por, no mínimo, 15 anos.
Entre as principais exigências também estão a geração de, no mínimo, 150 empregos diretos em até 60 meses. A empresa também deverá apresentar um projeto industrial ou logístico, que deverá começar a ser implantado em até seis meses após a assinatura da escritura.
Como será o leilão
As empresas interessadas deverão entregar a documentação e a proposta até 10 de setembro. Para participar, será exigido um depósito caução correspondente a 1% do valor de avaliação do imóvel, cerca de R$ 810 mil.
O leilão será presencial na sede da B3, em São Paulo, no dia 17 de setembro. Após a definição do vencedor, a escritura deverá ser assinada em até 30 dias. As empresas também poderão fazer visitas ao imóvel durante o período de vigência do edital, com agendamento pelo e-mail sde@pmpf.rs.gov.br.
Imbróglio antigo

A Manitowoc, empresa norte-americana fabricante de guindastes, encerrou as atividades no fim de 2015. A área de mais de 150 mil metros quadrados permaneceu ociosa por nove anos, durante disputas judiciais que impediam a destinação do espaço.
Em março de 2024, em cumprimento a uma decisão da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, a área foi oficialmente devolvida ao Município. Dois meses depois, o espaço foi passou a ser usado pela Defesa Civil estadual como centro logístico temporário, servindo de base para armazenar e distribuir alimentos e itens destinados às vítimas da enchente de maio de 2024.
O centro funcionou no pavilhão até abril de 2025, quando as operações dos donativos foram encerradas. Em outubro daquele ano, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, o projeto de lei nº 49/2025, de autoria do Executivo, que autorizou a licitação da área pública. Com isso, a prefeitura pôde dar continuidade ao processo licitatório.



