
A crise de intoxicação por metanol é sentida há pelo menos uma semana por casas noturnas de Passo Fundo, no norte do Estado. Mesmo sem casos confirmados no município, os proprietários observam redução no consumo de destilados.
Frequentado quase exclusivamente por jovens entre 18 e 25 anos, um bar na Rua Independência tem clientela com preferência por drinks com gin, vodca e uísque — bebidas mais suscetíveis à adulteração e foco das investigações.
O sócio-proprietário do local, Guilherme Barreto, estima uma redução de 20% no consumo do drink que é o carro-chefe da casa, o "copão", preparado com doses de destilados. Ele ainda analisa o impacto econômico no estabelecimento, mas adianta que há queda no faturamento.
— Tivemos preocupação assim que ficamos sabendo dos primeiros casos pela mídia. Observamos uma baixa no consumo de destilados na primeira semana dessa crise. Nossa preocupação vai principalmente em saber que, neste momento, bebidas adulteradas estão sim à venda em prateleiras e por motivos banais, por lucro, colocando a saúde das pessoas em risco — diz.
De acordo com o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes e Bares de Passo Fundo, a tendência é que efeitos mais acentuados do problema sejam sentidos nos próximos dias. Isso porque este fim de semana é o primeiro depois da divulgação de um caso suspeito de intoxicação por metanol no município, na última quarta-feira (8).
Após exames, o resultado deu negativo para intoxicação da jovem de 20 anos que passou mal após beber uísque.
Fiscalização

De acordo com o chefe do Núcleo de Vigilância Sanitária, Samuel Oro da Silva, o órgão está atento ao tema e realizou, ainda antes das ocorrências com metanol, oficinas de treinamento para identificação de bebidas falsificadas.
— Todo produto, seja alimento ou bebida, deve ter origem e procedência comprovadas para serem expostos ao comércio. Além das fiscalizações rotineiras, também atuamos a partir de denúncias recebidas através da Ouvidoria Municipal — explica.
Nos casos em que são flagradas irregularidades, a vigilância abre um Processo Administrativo Sanitário contra o estabelecimento e realiza a apreensão cautelar dos produtos.
O órgão fiscaliza o comércio de bebidas durante vistorias a estabelecimentos como bares, boates e mercados. Já a fiscalização da fabricação dos produtos é uma atribuição do Ministério da Agricultura e Pecuária.
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