
O aumento na passagem do transporte público de Passo Fundo, que subirá de R$ 4,95 para R$ 6 a partir deste sábado (1º), deve resultar em gasto extra de quase R$ 100 aos passageiros que fazem quatro viagens por dia.
A medida foi anunciada pela prefeitura na semana passada. O aumento de R$ 1,05 foi estabelecido em decreto da prefeitura, que justificou a medida a partir da redução no valor do subsídio público concedido ao serviço.
Segundo levantamento feito pela reportagem, quem paga a tarifa integral quatro vezes por dia, nos cinco dias da semana, passará a pagar R$ 480 por mês com transporte público. Com a passagem a R$ 4,95, o cálculo fica em R$ 396.
Quem faz duas viagens diárias passará a gastar R$ 240 por mês — o que representa R$ 42 a mais que os R$ 198 destinados hoje ao deslocamento urbano durante os 20 dias úteis.
O novo valor repercutiu entre a população, que relatou preocupação com o impacto financeiro, seja pela compra direta dos vales ou pelo desconto no contracheque.
— Têm pessoas que gastam com quatro ônibus por dia. Como vão pagar tudo isso? — indagou Cheila Mara Schmitt Soares, empregada doméstica.
Trabalhadores também questionam a qualidade dos ônibus e eficiência nos horários. Cidades gaúchas de porte similar a Passo Fundo, como Caxias do Sul, Pelotas e Rio Grande oferecem preços similares e benefícios como baldeação ou desconto para quem utilizar o cartão eletrônico.
— Seis reais vai encarecer para o trabalhador, para o empregador, vai ficar ruim para todo mundo. Não é um transporte público de qualidade que justifique o valor da tarifa. Vai dar um valor enorme no final do mês — disse Geni Cappelari, funcionária pública que utiliza o ônibus duas vezes ao dia.
Na Câmara, a vereadora Marina Bernardes (PT) protocolou um decreto legislativo para derrubar o reajuste e permitir mais tempo de discussão sobre o aumento. A prefeitura classificou a medida como "inconstitucional".
— Não pode o parlamento utilizar este instrumento (o decreto legislativo) quando o Executivo estiver no exercício das suas atribuições executivas e administrativas. Se assim fosse, permitiríamos que o Legislativo se intrometesse na função administrativa, o que é vedado e proibido constitucionalmente — disse procurador-geral do Município, Giovani Corralo.
O que justifica o aumento da passagem
No anúncio, a prefeitura justificou que o reajuste tem como base a tarifa técnica, que representa o custo real do sistema. Na última atualização, o Conselho Municipal de Transportes fixou o número em R$ 8,22 — mais que os R$ 6,65 estimados até então.
Além disso, o Executivo disse que há necessidade de reduzir o valor do subsídio pago mensalmente à empresa Coleurb. O subsídio foi aprovado em 2023 e começou a ser aplicado pela prefeitura em 2024, em resposta a uma demanda da empresa do transporte público de Passo Fundo, que alegou redução no número de passageiros desde a pandemia e, por isso, dificuldade para arcar com o preço da operação da frota.
A compensação financeira pelo preço da passagem, hoje na média de R$ 2,3 milhões por mês, cairá para R$ 1,5 milhão mensais. O valor pode variar conforme o número de passageiros transportados:
"A elevação dos custos operacionais, como o aumento do preço do diesel, pneus, peças e do dissídio da categoria, tornou inevitável a atualização da tarifa", escreveu a prefeitura em nota.
Segundo o anúncio, o cálculo da nova tarifa foi "feito de forma técnica e transparente" a partir das planilhas e critérios definidos pelo Conselho Municipal de Transporte. A definição da tarifa pública é realizada todos os anos pela prefeitura.




