
Contribuintes que têm dúvidas sobre como declarar o Imposto de Renda 2026 podem contar com ajuda gratuita em Passo Fundo. Isso porque o Núcleo de Apoio Fiscal (NAF) da Universidade de Passo Fundo (UPF) oferece atendimento à comunidade por meio de um projeto de extensão desenvolvido em parceria com a Receita Federal.
– A cada ano, recebemos premiações por sermos o núcleo que mais realiza atendimentos no Estado. Mesmo estando no interior, superamos cidades maiores como Caxias do Sul, Santa Maria e Porto Alegre. E mais: até 2024, quando os dados nacionais ainda eram divulgados, estávamos entre os 20 maiores do Brasil, o que reforça o impacto social significativo do projeto em Passo Fundo e em toda a região – ressalta a coordenadora do Núcleo de Apoio Fiscal (NAF), Mirna Muraro.
Em entrevista, Mirna explica como funciona o serviço, quem pode acessá-lo e quais são as principais dúvidas dos contribuintes neste período.
Por que o NAF definiu o limite de até R$ 45 mil de rendimento anual para atender contribuintes?
Esse limite foi definido justamente para evitar conflitos com o trabalho dos contadores, a partir de uma solicitação do próprio sindicato da categoria. Como o NAF é um projeto de extensão de uma universidade comunitária, se não houvesse esse recorte, o atendimento poderia ser ampliado para qualquer contribuinte.
Além disso, o projeto foi concebido em parceria com a Receita Federal para atender pessoas de baixa renda, que não têm condições de arcar com os custos de um profissional. Esse teto – que equivale a cerca de R$ 3,5 mil por mês – garante que o serviço cumpra esse objetivo.
Qual a expectativa de atendimento e como o núcleo se organizou para atender a essa demanda?
A expectativa é atender 500 pessoas. Organizamos o atendimento em três turnos semanais: nas quintas-feiras à noite, das 19h às 22h; nas sextas-feiras à tarde, das 14h às 17h; e também nas sextas-feiras à noite, das 19h às 22h. O atendimento é feito por ordem de chegada, com a distribuição de fichas numeradas. Por conta do horário disponível e do número de alunos envolvidos – cerca de 20 estudantes –, conseguimos atender, em média, 40 pessoas por turno.
Como os interessados podem buscar atendimento no NAF?
Os interessados podem procurar o atendimento presencialmente. Basta chegar à UPF e retirar uma ficha. Também disponibilizamos um número de WhatsApp – (54) 9603-6144 – que pode ser usado tanto para orientações quanto para esclarecimento de dúvidas. Nem sempre é necessário ir até o núcleo. Muitas pessoas entram em contato apenas para tirar dúvidas pontuais sobre a declaração, e conseguimos auxiliar por ali também.
O atendimento gratuito começou em 23 de março e segue até 29 de maio, prazo final estabelecido pela Receita Federal para a entrega da declaração.

De que forma essa experiência contribui para a formação profissional dos estudantes envolvidos?
O NAF é um projeto de extensão do curso de Ciências Contábeis da UPF. Nessa experiência, somos três professores, cada um responsável por um turno, e os estudantes realizam os atendimentos, enquanto orientamos, tiramos dúvidas e revisamos os casos.
Para a formação profissional, isso é um grande diferencial, porque eles vivenciam na prática situações reais da profissão. Além do aprendizado técnico, há também ganho importante na dimensão social, já que atendemos principalmente idosos e pessoas de baixa renda, que muitas vezes não teriam acesso a esse tipo de serviço.
Também já tivemos relatos de alunos que, após participarem do projeto, passaram a fazer declarações por conta própria e obtiveram renda com esse trabalho. Sem dúvida, é uma vivência completa, que une aprendizado, prática e impacto social.
Que orientações daria para quem ainda não declarou o Imposto de Renda e está com dúvidas ou receio de errar?
A primeira orientação é não deixar para a última hora e buscar informações confiáveis. É importante esclarecer, por exemplo, que a isenção para quem ganha até R$ 5 mil não está em vigor neste ano. Ela só vale a partir de 2027, e ainda não se sabe como ficará a obrigatoriedade de entrega da declaração nesses casos.
Também recomendamos que o contribuinte confira com atenção todas as informações, especialmente após mudanças recentes, como a substituição da DIRF pelo eSocial. Temos observado divergências entre os dados informados pelas empresas e o que aparece no sistema. Por isso, é fundamental revisar tudo com cuidado.
Outro ponto é declarar todas as operações realizadas ao longo do ano, não apenas os rendimentos. A aquisição de bens, como carro ou imóvel, financiamentos e até doações devem ser informados. Hoje, a Receita Federal conta com um alto nível de cruzamento de dados, o que aumenta as chances de inconsistências levarem o contribuinte à malha fina.
Para quem tiver dificuldade, o ideal é buscar orientação de um contador. E, se não puder arcar com esse custo, pode procurar o Núcleo de Apoio Fiscal.




