
Após 13 meses consecutivos de alta, a inadimplência no Brasil chegou ao maior nível da série histórica em janeiro de 2026, com 81,3 milhões de endividados. O dado foi divulgado no levantamento Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, realizado mensalmente pelo Serasa, que também revela os segmentos com a maior concentração de dívidas: bancos e cartões de crédito (26,3%); contas básicas, como água, luz e gás (22%); financeiras (19,8%); e serviços (11,8%).
– A inadimplência elevada é resultado de uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. Nos últimos anos, as famílias enfrentaram aumento do custo de vida, inflação em itens essenciais, juros elevados e, em muitos casos, renda que não acompanhou esse crescimento. Além disso, ainda temos um baixo nível de educação financeira, que dificulta o planejamento e o uso consciente do crédito – explica a assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Integração de Estados RS/SC/MG, Franciele Santos da Silveira.
Veja três pontos essenciais para fugir do endividamento e fomentar uma vida financeira mais equilibrada:
1. Identifique hábitos prejudiciais para o orçamento
Identificar hábitos que influenciam no endividamento e evitá-los pode ser um bom primeiro passo na busca por mais saúde financeira. De acordo com Franciele, alguns dos comportamentos prejudiciais mais comuns são:
- Gastar sem planejar e sem saber exatamente quanto entra e quanto sai da conta;
- Usar crédito excessivamente, especialmente do cartão e do parcelamento, sem considerar o orçamento futuro;
- Não priorizar gastos essenciais;
- Não ter uma reserva para imprevistos, levando ao endividamento quando algo foge do controle.
– São decisões do dia a dia que, somadas, afastam as pessoas dos seus sonhos. A vida não acontece só quando tudo está perfeito. Ela ocorre agora e exige escolhas melhores – destaca a especialista.
2. Mobilize-se para virar o jogo
Depois de reconhecer comportamentos que devem ser corrigidos para minimizar ou se livrar da inadimplência, é preciso adotar novas posturas para virar o jogo. Mapear todas as receitas, despesas e valores em aberto, por exemplo, é essencial para identificar quais são as dívidas com juros maiores, que devem ser priorizadas para evitar o acúmulo rápido de débitos.
Outra boa estratégia é criar barreiras contra impulsos (como remover cartões salvos para pagamentos em aplicativos e aprender a diferenciar desejo de necessidade) e revisar gastos “invisíveis”, a exemplo de assinaturas de streamings, taxas e pagamentos de serviços pouco utilizados.
Franciele ressalta que também é importante usar o crédito de forma consciente – não como solução, mas como ferramenta – e reduzir a dependência dessa modalidade. Uma das formas de alcançar esse objetivo é a partir da criação de uma reserva financeira, que pode ser montada aos poucos, mesmo com a renda apertada, com adições programadas de pequenos valores ao longo dos meses.
– Quando aprendemos a planejar, priorizar e decidir melhor, o futuro deixa de ser motivo de preocupação e passa a ser um projeto possível. Educação financeira é sobre dar ferramentas para que cada pessoa construa uma vida mais leve, com planos mais próximos e um amanhã melhor do que o hoje – afirma a profissional.
3. Busque orientação com quem entende do assunto
Procurar orientação qualificada é essencial para tomar decisões mais seguras e sustentáveis. A boa notícia é que, atualmente, é possível consultar diversas instituições sérias que oferecem informações confiáveis, apoio e soluções adequadas à realidade de cada pessoa.
– O Sicredi, por exemplo, atua fortemente na educação financeira, com programas, ações comunitárias, conteúdos educativos e atendimento próximo. Nosso papel vai além de oferecer produtos financeiros: queremos ajudar as pessoas a entenderem suas escolhas, organizarem suas vidas financeiras e se aproximarem dos seus planos e sonhos – finaliza Franciele.


